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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

CONFIGURAÇÕES DE MÃO

Ao longo das últimas décadas temos acompanhado uma grande evolução no universo linguístico e cultural da Libras e de seus falantes. Novos conceitos se disseminam e preparam dia a dia uma nova sociedade que se forma a partir de uma educação mais inclusiva, com acesso à língua de sinais como primeira língua, maior domínio da língua portuguesa escrita, farto material pedagógico, minimização do preconceito e descriminação sofridos pelo cidadão surdo, sem falar no uso das tecnologias em plataformas de informática e móveis (tablets e smartphones), com serviços e aplicativos cada vez mais eficientes que dinamizam a comunicação visual como vídeo chamada, whatsup, tradutores online, avatares, etc.)

Na web, particularmente, a qualidade do material ou mesmo das imagens ainda é muito deficiente, seja pela qualidade ruim com baixa resolução, seja por postagens irresponsáveis em sites e blogs sem compromisso com critério algum, ou ainda pela escassez de boas postagens que venham contribuir de fato com bom conteúdo relevante e inédito para a difusão da língua de sinais e da cultura surda. Lembramos que apesar dos avanços ainda vemos segregação de muito material que poderia, para não dizer, deveria ser compartilhado.

Relato aqui estes fatos porque regularmente venho pesquisando alguns assuntos, e confesso que em minha experiência particular me considero desapontado. [Estes assuntos estarão ao seu tempo no Blog à disposição do público]. O primeiro tema escolhido que passou por este caminho da frustração “Configurações de Mão” resultou neste post. Primeiramente, pela quase ausência de imagens ilustrativas das configurações de mão, e também pela falta de manutenção dos conteúdos disponibilizados, em grande maioria ultrapassados. Isto, porque ao longo das últimas três décadas a didática vem se adaptando a uma nova realidade no campo da educação de surdos, fomentada pela vasta oferta das faculdades de Letras Libras que vem imprimindo uma enxurrada de novos conceitos e descobrindo um mundo novo, explorando temas nunca antes desenvolvidos, contribuindo inquestionavelmente para um melhor preparo de pesquisadores, professores e instrutores de libras que atuam atualmente na sociedade.

Em decorrência destes e de outros fatores, o quadro “oficial” de configurações de mão tem sido abordado diferentemente através dos tempos e cada autor propõe uma conjunção diferente, não somente quanto à forma mas também quanto à quantidade de configurações. A título de ilustração, abaixo postaremos diversas imagens coletadas na rede, com divergências de forma e quantidade (46, 61, 62, 63, 64, 74, 75, 79 e 81) e alertamos que atualmente a apresentação mais aceita nos meios acadêmicos é a desenvolvida e aperfeiçoada por Nelson Pimenta, hoje com 61 configurações (primeira imagem).




















* Caso alguma imagem publicada neste post seja detentora de direitos autorais, favor comunicar
  através do  e-mail:  charles.libras@gmail.com   Obrigado

domingo, 28 de setembro de 2014

III SEMINÁRIO NACIONAL DE SURDOS 2014 - BREVE RELATO

Para quem não teve a oportunidade de fazer parte deste evento, traremos aqui neste breve relato um resumo dos principais momentos vivenciados neste Seminário em comemoração ao Dia do Surdo. Quem sabe, assim, você se motive a participar do próximo!
Diversas modalidades de Minicursos foram oferecidos e contribuíram para elevar o nível de qualidade do Seminário:
Humor Surdo – Prof. Jefferson Diego de Jesus (UFPR)
Artefatos Culturais – Prof. Mndo. Danilo da Silva (UFPR)
Esportes para Surdos – Anderson Santana
Organização Política dos Surdos – Ana Regina Campelo (UFRJ)
Guia Intérprete para Surdo-cego – Profª Esp. Rosani Suzin (FENEIS-PR)
Introdução ao Signwriting - Profª Mnda. Daiane Ferreira (UFSC)

Dentre as Palestras que em muito enriqueceram nosso conhecimento, tivemos:
Políticas Públicas para Inclusão Social dos Surdos - Ms. Roger Prestes – Secretário do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Porto Alegre
Humor Surdo - Jefferson Diego de Jesus
Poesia Surda - Rosani Suzin
Movimentos Surdos – Prof. Drª. Ana Regina Campello

No meu ponto de vista, “Escola Bilíngue para Surdos” tópico desenvolvido com muita propriedade por Ana Regina em sua palestra “Movimentos Surdos”, foi o tema mais inquietante e pertinente ao momento em que vivemos. Por isso, vamos nos estender um pouco neste tema que tem sido determinante dentro do espectro dos movimentos surdos ao longo da história especialmente para o nosso tempo.

O Bilinguismo vem sendo defendido e recomendado como um enfoque educacional no Brasil desde a década de 1970, logo após a decadência da Filosofia Educacional da Comunicação Total. Com a Lei 10436 em 2002 e o Decreto 5626 em 2005, muitos entenderam que esta busca por um modelo eficaz havia chegado ao seu final, e que a partir daí, nada mais seria necessário para que o cidadão surdo tivesse um caminho que o levasse à plena educação. É verdade que os tempos atuais são de conquistas e inegável avanço, mas, os estudos surdos e o próprio movimento do povo surdo vêm mostrando que há ainda muito a ser feito antes de considerarmos um sucesso absoluto o que vivemos nos dias de hoje.
São muitas as questões abordadas e debatidas. Dentre os principais fatores destacamos:
a grande maioria dos surdos tem pais ouvintes, e, em decorrência disso, as crianças surdas não tem tido acesso à Libras como língua materna (L1);
o foco tem sido direcionado para a formação de tradutores intérpretes, mas, a criança surda não conhece a sua própria língua, e não pode ser beneficiada pela simples oferta do tradutor intérprete em sala de aula;
a alfabetização dos surdos se dá aos 7 anos de idade e em escolas “inclusivas”, que adotam o português como primeira língua, o que contribui para a dificuldade da aquisição da Libras como primeira língua pela criança surda;
a inclusão, tão defendida e praticada ao longo de décadas, não proporcionou efetivamente uma educação de qualidade, visto que com uma visão simplista na prática de colocar alunos surdos em um mesmo espaço onde pudessem compartilhar língua e cultura com outros alunos ouvintes, não possibilitou o aprendizado efetivo da sua própria língua e consequentemente, nem o português escrito como segunda língua.

Entendemos que muitos são os desafios para uma nova era dentro de uma nova perspectiva de modelo bilíngue para os tempos modernos. Ana Regina citou várias práticas que deverão ser revistas e ou implementadas para uma educação bilíngue de qualidade, e que possa se sustentar ao longo da trajetória do povo surdo. Dentre elas:

A utilização da Libras em todas as camadas do ambiente escolar por todos os seus integrantes: diretoria, professores, funcionários, alunos, proporcionando um ambiente natural de comunicação em Libras;
O respeito e a promoção da identidade e da cultura surda, com ética, valorizando a Libras e proporcionando a construção natural da autoestima e da cidadania pelos alunos surdos.
A exposição destes alunos ao convívio com docentes surdos bem sucedidos tido como modelos positivos na construção da sua identidade.
Incentivar os discentes a se tornarem profissionais atuantes em áreas estratégicas como por exemplo a de professores surdos para a manutenção e garantia do futuro da escola bilíngue.
Tradução das publicações para a Libras oportunizando aos alunos o acesso à informação em sua própria língua.
Manter um programa de continuidade na capacitação e treinamento dos professores envolvidos diretamente com a educação de surdos.
Ampliar a formação das áreas afins como pedagogia e fonoaudiologia com um programa que envolva não só a língua, mas a identidade, a cultura e a ética.

Na conclusão de sua palestra, Ana Regina reforçou a importância da participação e do envolvimento das pessoas surdas nas causas e movimentos surdos para dar continuidade ao processo de aperfeiçoamento dos modelos existentes. Destacou também que hoje colhemos os frutos do que se plantou ao longo das décadas e que muitos surdos, dentre eles alguns já falecidos, lutaram para que pudéssemos usufruir das boas condições atuais, e que da mesma forma devemos nos empenhar para construir um futuro ainda melhor para as próximas gerações.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

UFPR PROMOVE O III SEMINÁRIO NACIONAL DE SURDOS


Em comemoração ao Dia Nacional do Surdo, a UFPR promove o Terceiro Seminário Nacional de Surdos com o tema: 12 anos da Lei de Libras: avanços e desafios”.

O Seminário acontecerá nos dias 26 e 27 de setembro no Auditório da Administração Central do Centro Politécnico em Curitiba - PR.




Objetivos:
  • Debater os avanços e desafios, em diferentes áreas sociais, decorrentes do reconhecimento político da Língua Brasileira de Sinais (Libras), desde 2002 aos dias atuais, com destaque ao processo de educação bilíngue para surdos.
  • Oportunizar a formação relativa à Libras e outros produtos culturais das comunidades surdas.
  • Debater as implicações da Meta 4 do Plano Nacional de Educação para a implantação das escolas bilíngues no sistema público de ensino.
  • Conhecer e avaliar programas e políticas públicas que amparam os direitos sociais dos surdos na infância, juventude, idade adulta e Terceira Idade.
  • Difundir as produções artístico-culturais e políticas das comunidades surdas para a sociedade em geral.
  • Difundir os direitos e necessidades do surdocego no âmbito das políticas educativas.



Vagas limitadas!

domingo, 11 de abril de 2010

Datas Comemorativas

23 de Abril - Dia Nacional da Educação de Surdos
24 de Abril - Dia da Libras
26 de Julho - Dia do Intérprete de Libras
10 de Setembro - Dia Internacional de Valorização das Línguas de Sinais
21 de Setembro - Dia Nacional da Pessoa com Deficiência
26 de Setembro - Dia do Surdo
30 de Setembro - Dia Mundial do Surdo
10 de Novembro - Dia Nacional da Surdez
03 de Dezembro - Dia Internacional da Pessoa com Deficiência
09 de Dezembro - Dia do Fonoaudiólogo
10 de Dezembro - Dia da Inclusão Social

Perguntas Frequentes

A Libras é universal?
Não. A libras não é universal. Existe o Gestuno, que é considerada uma língua internacional. Uma forma simples de representação das línguas de sinais, porém não muito utilizada ou difundida. Ver: A Universalidade da Língua de Sinais.

A Libras é uma Linguagem ou uma Língua?
Libras é uma língua. A definição de linguagem como meio de expressão não contempla o universo da Libras, que permeia as complexidades e características de Língua assim como as línguas orais. A Libras apresenta sintaxe, semântica, fonologia e demais aspectos comuns às demais línguas. Ver: Conceitos Introdutórios.

O Alfabeto Manual é universal?
Não. O Alfabeto Manual não é universal. Assim como a Língua, o alfabeto é também próprio de cada país ou comunidade que se apropria dele como ferramenta de comunicação. Um empréstimo linguístico da L2. Ver: Alfabeto Manual.

Por quê os surdos geralmente apresentam dificuldades de fala?
É comum vermos surdos apresentarem dificuldades de fala. Não que isto implique em alguma limitação patológica ou anatômica que o justifique, porém, os surdos (maioria) têm a Libras como L1 e o Português como L2. Ou seja, o português como uma língua estrangeira.

Como obter a certificação de tradutor/intérprete?
Para obter a certificação de tradutor/intérprete conferida pelo MEC, há somente um caminho a seguir: primeiro há a necessidade de contato com a comunidade surda suficiente para propiciar fluência na Libras, e/ou cursos preparatórios para esta prova, que é aplicada em Libras através de vídeos geralmente com textos sinalizados por surdos. Depois disto, deve-se ficar atento aos calendários de exames de proficiência aplicados pela COPERV - http://www.coperve.ufsc.br/prolibras/, através do PROLIBRAS – http://www.prolibras.ufsc.br sob a gestão da UFSC. Estes exames geralmente são anuais, e são realizados nos polos das Universidades federais por todo o país.

Existem cursos de Libras com certificação do MEC?
São raros, mas existem. A questão é simples: a maioria dos cursos ministrados por entidades particulares, ainda que com instrutores credenciados pelo MEC, não tem o reconhecimento do MEC. Existem, sim, cursos de pós-graduação ou extensão ofertados por universidades ou faculdades credenciadas pelo MEC, e, portanto, com o reconhecimento do MEC, porém, ainda, sem uma padronização de conteúdo programático prático/teórico, muito variado pelas instituições de ensino.

Ouvintes podem ser instrutores de Libras ou é uma atividade exclusiva dos surdos?
Por muitos anos permaneceu a grande discussão sobre este tema tido como polêmico. Muitos surdos (maioria) viam a atividade de ensino da Libras como uma oportunidade de trabalho, geralmente escasso pelas péssimas políticas de inclusão nas décadas passadas, e não admitiam que ouvintes, independentemente da capacitação para o ensino, ensinassem Libras. A questão era tida como ética e fomentava grandes movimentos que às vezes chegavam a extremos. A partir de 2006, com o exame de certificação aplicado pelo MEC, a discussão teve um fim, pois de acordo com o MEC, independentemente da situação de surdo ou ouvinte, alguém que tenha conquistado a certificação de proficiência para o ensino da Libras está plenamente apto a exercer esta atividade.

Todos os surdos são aptos a ensinar Libras?
Não. Nem todos os surdos são aptos a ensinar Libras. O fato de ser surdo não capacita nem habilita uma pessoa ao ensino da Libras. Isto só é conquistado através do exame de proficiência do MEC que atestará a capacidade para o exercício da atividade de Instrutor.

A Libras é uma língua padronizada em todo o país, ou existe regionalismo?
Não a Libras não é padronizada. Assim como as línguas orais, a Libras tem suas variações regionais e sociais, de acordo com a cultura e a época que se fala. Boa parte da Língua é reconhecida oficialmente através da publicação do dicionário oficial da Língua de Sinais. Porém, o fato de não constar no dicionário não ratifica a tese de que não seja Libras oficial. Somente reforça a ideia de que há um forte regionalismo presente em nossa cultura. Ver: Variações Linguísticas (dialetos).

As línguas gestuais-visuais são inferiores às línguas orais?
Não. Algumas pessoas e até mesmo estudiosos de línguas orais tem afirmado que as línguas de sinais são inferiores às línguas orais. Isto se deve essencialmente à ignorância do assunto. O que temos visto nas últimas duas décadas é que as línguas de sinais demoraram muito tempo para se afirmarem como línguas, por terem sido vítimas de preconceito e até mesmo marginalizadas pela sociedade predominantemente ouvintista. A partir da década de 1990 após estudos pioneiros da linguista Lucinda Ferreira Britto e mais tarde por outros tantos nomes de expressão como, Lodenir Karnopp, Tania Felipe, Ronice Quadros, Gladis Perlin, Karin Strobel, e muitos outros tantos nomes do mundo linguístico, que esta falsa impressão foi desmascarada. Sabemos que os estudos da Libras ainda não são suficientes, principalmente pela complexidade da própria Libras, que permeia campos muito densos, como por exemplo, os Sistemas de Classificação, ainda pouco perscrutados pelos estudiosos o que nos proporcionará amplo material de estudo ainda por muitas décadas. Talvez a ausência de uma Gramática Oficial induza os estudiosos mais superficiais a acreditarem nesta falsa afirmação. Além do que, não seria justo comparar línguas de espectros tão distintos como estes: Português oral/escrito / linear já a Libras é visual / gestual / espacial /  multidimensional. Ver: Um paralelo entre a Libras e o Português.

Ouvintes podem apresentar uma Identidade Surda?
Sim. Ouvintes podem apresentar uma identidade surda, quando expostos a ela precocemente, geralmente como acontece nas famílias de pais surdos com filhos ouvintes que tem como língua materna a Libras L1 e posteriormente aprendem o Português L2. Ver: Identidade Surda.

Existem gírias ou expressões idiomáticas na Libras?
Sim. Da mesma forma como acontece nas línguas orais, na Libras os meios de influência destes fenômenos linguísticos são a cultura e a dinâmica da própria língua. Existem dezenas, talvez centenas de expressões idiomáticas e gírias na Libras. Isto também varia de acordo com a região e a época. Cada geração tem imprimido sua identidade nas formas de comunicação, que vem mudando cada vez em espaços mais curtos de tempo. As novas gerações jovens tem a necessidade de criar seu próprio estilo e isto se aplica também à Libras. O que não deveria ocorrer, é a perda ou o desuso de sinais ou expressões mais ricas por expressões mais pobres, simplesmente por serem mais modernas, atuais. Assim, perde-se em qualidade e em conteúdo, o que é lamentável para qualquer cultura. Nas línguas orais isto é um pouco minimizado pelos registros escritos (livros) e visuais (vídeos, filmes, documentários) Porém, na Libras, por se tratar de uma língua visual, e termos pouquíssimos registros dela ao longo das décadas, o risco de perda é muito maior.

Como entender os critérios utilizados para dar sinal às pessoas e às coisas?
São muitos os critérios utilizados pelos surdos para dar sinal às pessoas e às coisas. Quanto às pessoas, geralmente prevalece uma característica física ou fisionômica, seguida de características marcantes de trejeitos, atividades, gostos, etc. No caso das coisas, as características descritivas (forma, tamanho, textura) ou de funcionalidade e instrumentalidade são observadas criteriosamente para se chegar ao sinal (significante) que represente melhor aquela coisa (significado). É comum vermos sinais de pessoas e, às vezes também, de coisas, executados com a Configuração de Mão de representa a letra inicial da palavra em português. Isto não é regra. É, portanto, uma exceção justificada pela influência da língua escrita (português) sobre a língua gestual (Libras). Hoje, mais raramente se observa esta apropriação, devido ao amadurecimento da comunidade surda e da valorização da Libras com as políticas públicas e amparo da legislação legal.

Para todas as palavras da Língua Portuguesa encontramos um sinal correspondente na Libras?
Não. Cada língua tem sua raiz na sua própria cultura. Isto implica em uma comunicação baseada na vivência e comportamento desta comunidade que se utiliza da língua para expressar suas capacidades e manifestar suas experiências ao longo da vida. Isto não quer dizer que não possamos interpretar uma palavra do português que não tenha uma referência imediata na Libras. O que geralmente acontece é 1) o intérprete inexperiente soletra usando o alfabeto manual e simplesmente não comunica, pelo simples fato de a palavra soletrada ser desconhecida do surdo. 2) o intérprete mais experiente soletra e explica com dois, três, quatro ou quantos sinais achar necessários para comunicar a ideia ou o significado daquela palavra. Assim transporta conhecimento de uma cultura para outra e estimula a criação de novos sinais que comporão o vocabulário desta língua. Curiosamente o inverso também acontece. Na tradução da Libras para o português, muitos sinais que não tem correspondência no português precisam ser esmiuçados em diversas palavras para comunicar com o mesmo conteúdo, às vezes de um único sinal, geralmente rico em conteúdo e de difícil tradução com um simples e único vocábulo. Assim, ao longo dos tempos vamos construindo um referencial linguístico comum de ambas as culturas, o que propicia um mútuo enriquecimento. Vemos muitos exemplos de importação de expressões originalmente americanas para a nossa cultura, e ninguém acha anormal. Por quê? Culturalmente fomos nos acostumando ao fato de usar cada vez mais estrangeirismos, em vez de nos apropriarmos cada vez mais da nossa própria língua e cultura. A exemplo desta postura podemos citar a França.

Filmes Sobre Surdez

11 de Setembro
100 Girls
2001 – Uma Odisseia no Espaço
A Broadway dos Meus Sonhos
A Corrente do Bem
A Hora da Estrela
A Maçã
A Missão
A Música e o Silêncio
Alpine Fire
Amour Secret
Amy – Uma Vida pelas Crianças (Tv Film)
Anatomie D´Un Miracle
And Now Tomorrow
Ao Mestre Com Carinho I e II
Babel
Beethoven – Um Grand Amour de Beethoven
Beyond Silence
Big Little Person
Black
Blue Rodeo (Tv Film)
Bonanza – Trovão Silencioso
Bridge to Silence (Tv Film)
Budbringeren
Cegos, Surdos E Loucos
Cenas da Praia
Cine Gibi
City of Sadness
Compensation
Congo
Cop Land
Corpo a Corpo
Country of The Deaf (Tv Film)
Crazy Moon
Crianças Invisíveis
Dead Silence
Deaf Smith And Johnny Ears
Deafula – Drácula
Destination : Graceland
Do Luto à Luta
Dobermann
Dot
Dummy (Tv Film)
E Seu Nome é Jonas
Egypt
Entre os Muros da Escola
Eu, Christiane F. Drogada e Prostituta
Fernão Capelo Gaivota
Filhos do Silêncio
Fome de Amor
Gestos de Amor
Gigot
Hear No Evil
Helen – A Raposinha
Helen Keller And Her Teacher
Helen Keller: The Miracle Continues
Histórias de Princesas da Disney
Intimate Portrait: Helen Keller
John Lennon – Imagine
Judement
L´Abbe de L´Épée
La Mélodie du Silence
La Trompette Magique
Lágrimas do Silêncio
Le Bateau de Mariage
Les Innocents
Les Mots Blues
Les Nuit Claire
Les Silencieuses
Lettre D´Mour Zoulou
Little House Prairie
Los Amigos
Meu Pé Esquerdo
Mr. Holland, Adorável Professor
Neel
No Silêncio do Amor
O Céu De Lisboa
O Cisne Apaixonado
O Enigma de Kaspar Hauser
O Filme Surdo De Beethoven
O Garoto Selvagem
O Martírio do Silêncio
O Milagre de Ann Sullivan
O Milagre na Rua 34
O Óleo de Lorenzo
O País dos Surdos
O Passado
O Pássaro Azul
O Piano
O Poder da Esperança
O Silêncio
Old Boy
Os Cinco Sentidos
Paciente 14
Palavras do Silêncio
Paranoid
Pequeno Milagre
Points de Rupture
Pollyanna
Professor, Aqui quem Fala é Seu Aluno Surdo
Quatro Casamentos e um Funeral
Quem Somos Nós I e II
Querido Frankie
Ritmo Acelerado
Savage Streets
Ser e Ter
Silêncio do Amor
Sob Suspeita
Sobre Meninos e Lobos
Sobre meus Lábios
Som e Fúria
Terra do Silêncio e da Escuridão
Terre Et Cendres
The Dancer
The Unconquered (Helen Keller In Her Story)
Till Human Voices Wake Us
Tortura Silenciosa
Tudo em Família
Velocidade Máxima 2
Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida
Xuxa e os Duendes 2 - No Caminho Das Fadas

sábado, 10 de abril de 2010

Nomenclaturas

Nunca use o termo SURDO-MUDO! Além de ter conotação pejorativa, não traduz a realidade de fato. Surdez e mudez são coisas distintas e raramente encontra-se a ocorrência de ambas em um único indivíduo. A forma mais bem aceita para designar um surdo é "SURDO". Se estiver fazendo mensão a outras áreas, pode-se utilizar a expressão "PESSOA(S) COM NECESSIDADES ESPECIAIS"
E não se esqueça de evitar rótulos como DA (deficiente auditivo), PPD (pessoa portadora de deficiência), PNE (portador de necessidades especiais), PCD (pessoa com deficiência), etc. Fazendo assim você estará contribuindo para que a cultura surda seja respeitada.

História da Educação de Surdos no Brasil e no Mundo

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE SURDOS NO BRASIL

1855 – Primeira iniciativa de educação de surdos quando o professor francês surdo Ernest Huet, a convite de D. Pedro II, veio ao Brasil e preparou um programa que consistia em usar o alfabeto manual e a Língua de Sinais da França. Apresentou documentos importantes para educar os surdos, mas ainda não havia escola especial. Solicitou então ao imperador D. Pedro II um prédio para fundar uma escola.

1857 – No dia 26 de setembro, através da Lei 939, assinada por D. Pedro II, fundou-se o então Instituto Nacional de Educação dos Surdos-Mudos, atualmente Instituto Nacional de Educação dos Surdos (INES) no Rio de Janeiro. Huet foi Diretor do Instituto de Surdos de Paris e do INESM.

1862 – Huet deixa o Rio de Janeiro e retorna à França sem motivo conhecido. Problemas particulares? Problemas políticos? Problemas educacionais?

1873 – Surge a publicação do mais importante documento encontrado até hoje sobre a Língua Brasileira de Sinais, o “Iconographia dos Signaes dos Surdos-Mudos”, de autoria do aluno surdo Flausino José da Gama, ex-aluno do INSM com ilustrações de sinais separados por categorias (animais, objetos, etc). Esta linguagem não é mais usada atualmente.

1913 – Em 24 de Maio, é fundada por João Brasil Silvado Jr. a Associação Brasileira dos Surdos-mudos (ABSM), cuja cultura obteve um grande desenvolvimento.

1911 - O Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) passou a seguir a tendência mundial, utilizando o oralismo puro.

1930 a 1947 – Dr. Armando Paiva Lacerda ex-diretor do INES. Exige que os alunos não usem a Língua de Sinais: podendo apenas utilizar o alfabeto manual e um bloco de papel com lápis no bolso para escrever as palavras que quisessem falar.

1950 – Os surdos não conseguem adaptar-se a essa imposição do oralismo e continuam a usar a Língua de Sinais e o alfabeto manual. Os professores e inspetores burlam as ordens na comunicação com os alunos surdos.

1957 - Proibida totalmente a utilização da língua de sinais no INES.

Década de 1950 – O poder do método oralista francês cresce em todo o Brasil sob a responsabilidade da Profª. Alpia Couto, que, dentro do Centro Nacional de Educação Especial, realiza projetos na área de DEFICIÊNCIA AUDITIVA. O desconhecimento e a falta de convivência com os surdos provocam prejuízos na cultura da comunidade surda, o empobrecimento da Língua de Sinais e a falta de acesso às informações sociais. As questões da Educação Especial se tornam apenas vinculadas a interesses político-econômicos.

1975 - Chega ao Brasil a Comunicação Total.

1977 - Criado no Rio de Janeiro a Federação Nacional de Educação e Integração dos Deficientes Auditivos, FENEIDA, com diretoria de ouvintes.

1980 - Chega ao Brasil o Bilinguismo, porém de fato em 1990.

1981 - Início das pesquisas sistematizadas sobre a Língua de Sinais no Brasil.

1982 - Lucinda Ferreira Brito inicia seus importantes estudos linguísticos sobre a Língua de Sinais dos índios Urubu-Kaapor da floresta amazônica brasileira, após um mês de convivência com os mesmos, documentando em filme sua experiência. A idéia para a pesquisa, segundo a própria autora (1993), adveio da leitura de um artigo publicado no livro acima citado de Umiker-Sebeok (1978), de autoria de J. Kakumasu, Urubu Sign Language. No estudo, a Língua de Sinais dos Urubu-Kaapor se diferenciaria da PSL por constituir um veículo de comunicação intratribal e não como meio de transação comercial. Lucinda Brito, porém, constatou que a mesma se tratava de uma legítima Língua de Sinais dos surdos, pelos mesmos criada. 1982 - Elaboração em equipe de um projeto subsidiado pela ANPOCS e pelo CNPQ intitulado "Levantamento linguístico da Língua de Sinais dos Centros Urbanos Brasileiros (LSCB) e sua aplicação na educação". A partir desta data, diversos estudos linguísticos sobre LIBRAS são efetuados sobre a orientação da linguista L. Brito, principalmente na UFRJ. A problemática da surdez passa a ser alvo de estudos para diversas Dissertações de Mestrado.

1983 - Criação no Brasil da Comissão de Luta pelos Direitos dos Surdos.

1986 - O Centro SUVAG (PE) faz sua opção metodológica pelo Bilinguismo, tornando-se o primeiro lugar no Brasil em que efetivamente esta orientação passou a ser praticada.

1987 - Criação da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS), EM 16/05/87, sob a direção de surdos.

1991 - A LIBRAS é reconhecida oficialmente pelo Governo do Estado de Minas Gerais (lei nº 10.397 de 10/1/91).

1994 - Brito passa a utilizar a abreviação LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), que foi criada pela própria comunidade surda para designar a LSCB (Língua de Sinais dos Centros Urbanos Brasileiros).

1994 - Começa a ser exibido na TV Educativa o programa VEJO VOZES (out/94 a fev/95), usando a Língua de Sinais Brasileira.

1995 - Criado por surdos no Rio de Janeiro o Comitê Pró-Oficialização da Língua de Sinais.

1996 - São iniciadas, no INES, em convênio com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), pesquisas que envolvem a implantação da abordagem educacional com Bilinguismo em turmas da pré-escola, sob a coordenação da linguista E. Fernandes.

1998 - TELERJ - do Rio de janeiro, em parceria com a FENEIS, inauguraram a Central de atendimento ao surdo - através do número 1402, o surdo em seu TS, pode se comunicar com o ouvinte em telefone convencional.

1999 - Em março, começam a ser instaladas em todo Brasil telessalas com o Telecurso 2000 legendado.

2000 - Closed Caption, ou legenda oculta. Após três anos de funcionamento no Jornal Nacional ela é disponibilizada aos surdos também nos programas Fantástico, Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal da Globo e programa do JÔ.

2000 - TELERJ: Telefone celular para surdos com a opção de SMS.

2002 - É promulgada a lei 10.436 em 24 de abril, reconhecendo a Libras como língua oficial das comunidades surdas do Brasil.

2005 - O Decreto 5626 em 22 de dezembro veio regulamentar a lei 10436.

2006 - Exame de Certificação Tradutor Intérprete de Libras – Prolibras, instrutor de Libras e o Curso de Letras-Libras Bacharelado e Licenciatura EaD.

2010 - Curso Superior de Letras-Libras Bacharelado e Licenciatura presencial UFSC.

2010 - Promulgada a lei 12.319 em 01 de Setembro, que regulamenta o exercício da profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS.

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HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE SURDOS NO MUNDO

1520 a 1584 – Espanha: Pedro Ponce de Leon inicia a educação dos surdos através do uso da Língua de Sinais e do alfabeto manual (essencial do método ponce), este se baseava na aprendizagem das palavras começando pela leitura e escrita.

1613 – Espanha: Juan Pablo Bonet atribuiu grande importância à existência de um ambiente linguístico rico, além de priorizar o uso do alfabeto manual juntamente com a escrita para o ensino da fala. Defende que o treino da fala seja iniciando precocemente.

1616 a 1698 – Inglaterra: Holder defende que a reeducação deveria começar pelo ensino da escrita e utiliza o alfabeto de duas mãos para apoiar o treino da fala.

1620 – Espanha: Foi publicado o Livro Reduccion de las letras y artes para enseñar a hablar a los mudos, que falava da invenção do alfabeto manual de Ponce de Leon, por Juan Martin Pablo Bonet. Já em 1644 e 1648 foram publicados respectivamente, os livros: Chirologia e Philocopus, de J. Bulwer. Ambos eram acerca da língua de sinais. No entanto, o primeiro acreditava na universalidade da língua e o segundo afirmava que a língua de sinais tinha a capacidade de expressar os mesmos conceitos que a língua oral.

1648 – Inglaterra: John Bulwer é o autor do 1º trabalho sobre leitura labial da língua inglesa, de cuja aprendizagem faz depender a posterior aquisição da fala.

1616 a 1703 – Inglaterra: O matemático e educador de surdos John Wallis dedica pouca atenção à leitura labial e procede ao treino da fala independentemente do apoio no alfabeto manual. Inicia a reeducação através de gestos naturais usados pelos alunos para depois passar à escrita.

1626 a 1687 - Inglaterra: Jeorge Dalgarno atribui grande importância à educação precoce e ao ambiente linguístico em que a criança surda deve ser educada. Defende o uso contínuo da datilologia desde o berço para permitir ao bebê o desenvolvimento da linguagem.

1715 a 1780 – Portugal: Jacob Rodrigues Pereira utiliza o alfabeto manual como apoio do ensino da fala.

1712 a 1789 – França: O abade l'Epée (Charles-Michel de l'Epée: 1712 -1789) defende que a mímica constituiu a linguagem natural ou materna dos surdos. Conclui que a linguagem dos gestos é um verdadeiro meio de comunicação e de desenvolvimento do pensamento”.

1750 – Alemanha: O Oralismo foi fundado por Samuel Heinicke, que adotou uma metodologia conhecida como o “método alemão”.

1750 – França: Charles-Michel de L´Epée envolveu-se com a comunidade surda, aprendeu a língua e acabou fundando em 1775 uma escola pública em sua própria casa, onde professores e alunos usavam os chamados “sinais metódicos”.

1760 – França: l'Epée iniciou o trabalho de instrução formal com duas surdas a partir da Língua de Sinais que se falava pelas ruas de Paris, datilologia/alfabeto manual e sinais criados e obteve grande êxito, sendo que a partir dessa época a metodologia por ele desenvolvida tornou-se conhecida e respeitada, assumida pelo então Instituto de Surdos e Mudos (atual Instituto Nacional de Jovens Surdos), em Paris, como o caminho correto para a educação dos seus alunos.

1817 - Estados Unidos: Thomas Hopkins Gallaudet e Laurent Clerc fundam a primeira Escola de Surdos em Harttord o AMERICAM ASYLUM FOR THE EDUCATION OF THE DEAF AND DUMB. Desde 1864 Gallaudet University.

1850 – Estados Unidos: A ASL, e não o inglês sinalizado passa a ser utilizada nas escolas, assim como ocorria na maior parte dos países europeus. Nesse período, houve uma elevação no grau de escolarização dos surdos, que podiam aprender com facilidade as disciplinas ministradas em língua de sinais.

1860 – Estados Unidos: O método oral começa a ganhar força.

1869 – Estados Unidos: Surgiram então opositores à língua de sinais, que ganharam força a partir da morte de Laurent Clerc.

1880 – Itália: Em Milano, o Iº CONGRESSO MUNDIAL DOS SURDOS considera que o uso simultâneo da fala e dos gestos mímicos tem a desvantagem de impedir que o desenvolvimento da fala da leitura labial e da precisão das idéias. E declara que o método oral puro deve ser preferido de forma definitiva e oficial. Das 164 representantes presentes, apenas os cincos dos EUA não votam em favor do ORALISMO.

1851 a 1990 – Gallaudet University – EUA: Gallaudet tem a história de luta. Força e poder em prol de defesa dos direitos dos surdos e da Língua de Sinais. Na educação. Utiliza forma radical a Língua de Sinais. Seu progresso e desenvolvimento resultam na Universidade com conhecimento mundial, num trabalho que começa com e estimulação precoce e vai até os cursos de PHD E Academia Superior de surdo; preconiza que não é necessária a educação especial para os surdos, bastando apenas que, na comunicação, o direito à Língua de Sinais seja respeitado. Juntamente com Laurent Clerc e sob a influência de L’Epee, Gallaudet nunca aceitou a imposição do Congresso de Milão e não concordou com a mudança para uma metodologia oral.

1960 – Estados Unidos: É implantada a filosofia da Comunicação Total. William Stokoe prova que a linguagem gestual, de natureza visual-especial, tem estrutura e aspectos próprios, como qualquer língua.

Duas Visões da Surdez


Cultura Surda

É tarefa difícil definir cultura surda. Podemos vislumbrar um conceito como um movimento social, formado a partir de uma minoria linguística, que está em oposição à cultura e ideologia dominantes. Os surdos procuram conviver harmoniosamente com grandes diferenças, dentre elas a mais marcante, a linguística. Esta comunidade está sempre procurando fazer valer os seus direitos políticos e sociais, lutando contra o estigma, o estereótipo, a deficiência, o preconceito, e o poder do ouvintismo.

O que poderia ser um caminho por parte da nossa sociedade predominantemente ouvinte seria o amadurecimento da consciência de que a diversidade é fator contribuinte e não ameaça a cultura de um povo; aprender a respeitar a cultura surda como parte integrante de nossa cultura coletiva, e, consecutivamente; o reconhecimento e a valorização da identidade cultural surda como uma ferramenta apta a contribuir para o desenvolvimento de nossa cultura global.

Vivemos no século 21, portanto é conveniente que adotemos uma nova perspectiva em relação a um futuro cada vez mais próximo. E uma nova perspectiva implica preencher um espaço que outrora fora habitado por uma concepção concordante com a mentalidade vigente da época, mas que atualmente torna-se ultrapassada e não deve mais se sustentar, em seus alicerces ruinosos que não mais se alinham à superfície das novas descobertas.

Dentre as características mais marcantes da cultura surda, além da língua, temos as tecnologias (TDDaparelho auditivoimplante coclearClosed Caption, alerta luminoso ou vibratório em telefones e campainhas) e os artefatos culturais (poesia, contos surdos) que muito traduzem a visão que o surdo tem do mundo e como pode contribuir com ele.

Identidades Surdas

É fundamental olharmos para a Identidade Cultural Surda dentro de um contexto multicultural, onde a identidade é algo em questão, em construção, uma construção móvel que pode frequentemente ser transformada ou estar em movimento, e que empurra o sujeito em diferentes posições. PERLIN (1998: 52) É evidente que as identidades surdas assumem formas multifacetadas em vista das fragmentações a que estão sujeitas, face à presença do poder ouvintista que lhes impõem regras, inclusive, encontrando no estereótipo surdo uma resposta para a negação da representação da identidade surda ao sujeito surdo.

De acordo com apresentação didática da Identidade Surda, podemos analisar três dos elementos mais importantes:
Quanto a ORIGEM:
1) Surdo – filho de pais surdos
2) Surdo – filho de pais ouvintes
3) Ouvinte – filho de pais surdos

Quanto aos FATORES:
1) O surdo precisa ser exposto à cultura surda para desenvolver sua linguagem e compor sua identidade.
2) Participação nas atividades construtoras
3) Movimentos surdos – a dinâmica da comunidade
4) Conhecimento das leis e políticas de inclusão e da ética

Quanto a CLASSIFICAÇÃO:
Identidade Surda ou Política: Pessoa com identidade surda plena. É geralmente filho de pais surdos (LIBRAS Nativa) e se aceita como surdo. Luta pelos direitos e pela inclusão na sociedade. Não se esconde, mas se deixa expor naturalmente.
Híbrida: Nasce ouvinte e posteriormente torna-se surdo. Conhece a língua portuguesa falada e escrita. Mais tarde conhece a cultura surda e a Libras. Mantém relação amigável com ambas as culturas.
Flutuante: Tem dificuldade de identificação em um grupo definido, não sabe se fica com os surdos ou com os ouvintes. Quando em meio aos ouvintes disfarça a surdez e quando em meio aos surdos procura ser como eles.
Embaçada: Apresenta alto índice de desinformação, dificuldade de aprendizado, Não conhece a Libras e nem o Português, por isso tem alta limitação de comunicação com ambas as culturas e acaba por viver isoladamente.
De Transição: Aprende com certa dificuldade a comunicação oral auditiva. Filho de pais ouvintes. Mais tarde descobre a LIBRAS e dá preferência para conviver na cultura surda.
Diáspora: Relaciona-se bem com os ouvintes, luta pelos direitos surdos, procura mostrar que é resolvido e feliz. Busca incansavelmente estar bem informado sobre tudo.
Incompleta ou Intermediária: Nega a identidade surda, luta para se integrar ao ambiente do ouvinte, tentando viver como tal. Oralizado, geralmente usa aparelho auditivo e não aceita bem a Libras. Aprecia as peculiaridades culturais distintivas ouvintes como, por exemplo, a música.


Para mais detalhes sobre Identidades Surdas, assista ao vídeo da Psicóloga Surda Rita de Cássia Maestri, abaixo:




Fonte do Vídeo: http://www.contatocomomundosurdo.blogspot.com 

Filosofias Educacionais no Brasil

No processo histórico dos surdos no Brasil, mantendo o olhar pelo aspecto educacional um ponto importantíssimo para compreendermos melhor a educação de surdos é a evolução das filosofias educacionais.

ORALISMO (1911) - É a filosofia educacional que só se preocupa com o ensino da língua oral através de vários métodos. Tais como: verbo tonal, leitura labial e outros. No Brasil, as pessoas que seguem a filosofia oralista, só ensinam a língua portuguesa e geralmente não aceitam a Língua de Sinais.

COMUNICAÇÃO TOTAL (1970) - É a filosofia que procura desenvolver todas as habilidades da comunicação. Tais como: a fala, a audição, os sinais, leitura, escrita e outros recursos. Aqui no Brasil e em outros países, a Comunicação Total usa muito o “Bimodalismo”. Bimodalismo - É a utilização simultânea das duas modalidades de língua: a oral-auditiva e a gestual-visual, misturado as duas línguas e deformando-as. A este fenômeno denominamos de PIDGIN (utilização de palavras de uma língua com a estrutura de outra língua. Quando estão em contato social, o pidgin surge do intercâmbio de uma língua com outra).

BILINGUISMO (1980 até hoje) - Uso de duas línguas por uma pessoa. É o aprendizado da língua de sinais separado da língua oral.
O surdo que sabe a língua de sinais e o português é “bilingue”. A escola que ensina as duas línguas tem uma educação bilingue.
Existem dois tipos de Bilinguismo:
Bilinguismo Social - Quando a comunidade precisa usar duas línguas (por obrigação).
Bilinguismo Individual - Quando o indivíduo aprende outra língua além da sua língua materna (pela vontade).

Alguns objetivos do Bilinguismo:
• Facilitar a aquisição de conceitos pelo aluno surdo;
• Facilitar a assimilação de conteúdo do currículo básico;
• Proporcionar um real e efetivo meio de informações aos surdos;
• Garantir aos surdos o desenvolvimento normal da linguagem e da inteligência;
• Formar uma personalidade saudável: com desenvolvimento emocional-social normal;
• Construção de uma teoria sobre o mundo - um mundo apropriado, com aceitação. Primeiro garantir linguagem, conhecimento e desenvolvimento;
• Permitir que o surdo saiba que faz parte de um grupo humano com cultura própria e que; é solidário com eles; pois eles não podem ser como os ouvintes (ainda que tentem) porque são surdos. Não podem projetar-se nos pais (modelos) ouvintes porque são surdos e lhes faltará modelo para o futuro. Assim como as crianças ouvintes fazem muitas perguntas e isso constrói seu mundo, isso deve ser permitido também às crianças surdas;
• A formação de um entorno linguístico de sinais - a LS (língua de sinais) é elemento de poder e os surdos podem começar a sair da condição de “subalternos” dos ouvintes;
• A busca de uma educação que se preocupa com indivíduos e não somente com sistemas que precisam ser aprovados;
• Desenvolver a personalidade sadia da criança surda; normalmente as crianças ouvintes vêm para a escola com linguagem anterior e as surdas não;
• Interagir no ambiente familiar, onde os pais são ouvintes e não tem condições de dar cultura surda para seus filhos. Surdez não se explica. Se vivencia, se compartilha.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Classificação da Surdez


“Deficiência Auditiva” Essa expressão sugere a diminuição ou a ausência da capacidade para ouvir determinados sons, devido a fatores que afetem quaisquer das partes do aparelho auditivo. Podemos considerar surdo o indivíduo cuja audição não é funcional na vida comum, e parcialmente surdo, aquele cuja audição, ainda que deficiente, é funcional com ou sem prótese auditiva.        

De acordo com o decreto 3298 de 20/12/1999, em seu Art. IV § 2º é considerada pessoa com deficiência aquela que apresente perda bilateral, parcial ou total de 41 dB (quarenta e um decibéis) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500HZ, 1.000HZ, 2.000Hz e 3.000Hz.

A Política Nacional de Educação Especial define a deficiência auditiva como sendo a “perda total ou parcial, congênita ou adquirida, da capacidade de compreender a fala através do ouvido” (BRASIL, 1994).
Essa definição permite concluir que:
1)      Existem diferentes graus de perda auditiva;
2)      A surdez pode ocorrer em diferentes fases do desenvolvimento;
3)      A sua pior consequência é a impossibilidade de ouvir a voz humana (fala).

Dependendo da época da instalação da deficiência e do grau da perda auditiva, o indivíduo pode ter dificuldades no relacionamento, na comunicação, na compreensão de conceitos e regras e na apreensão de conhecimentos através dos meios mais comuns (a língua oral e textos).

No padrão normal de audição, o limiar de audibilidade vai até 25 dB em todas as frequências do espectro sonoro (entre 250 e 8000 Hz). Já a classificação do grau de perda, segundo o Padrão ANSI (1969), é a seguinte:

CLASSIFICAÇÃO DA PERDA AUDITIVA

a)      AUDIÇÃO NORMAL – PERDA DE ATÉ 25 DB
b)     DEFICIÊNCIA LEVE – PERDA DE 26 A 40 DB
c)      DEFICIÊNCIA MODERADA – PERDA DE 41 A 55 DB
d)     DEFICIÊNCIA ACENTUADA – PERDA DE 56 A 70 DB
e)      DEFICIÊNCIA SEVERA – PERDA DE 71 A 90 DB
f)       DEFICIÊNCIA PROFUNDA - PERDA ACIMA DE 90 DB
g)      ANACUSIA - TOTAL AUSÊNCIA DA AUDIÇÃO

a)  Audição Normal – Perda auditiva de até 25 dB. Ainda que uma pessoa tenha perda parcial de até 25 dB, até este nível não há limitação da sua capacidade de comunicação e desenvolvimento linguístico, portanto está perfeitamente inserida no contexto social, sem inconvenientes relevantes.

b) Portador de Surdez Leve  - perda auditiva de 26 a 40 dB. Permite ouvir os sons, desde que sejam um pouco mais intensos. Essa perda impede que o indivíduo perceba igualmente todos os fonemas das palavras. É considerado desatento e solicita eventualmente a repetição do que lhe falam Além disso, a voz fraca ou distante não é ouvida. Essa perda auditiva não impede a aquisição normal da linguagem, mas poderá ser a causa de algum problema articulatório ou dificuldade na leitura e/ou escrita.

c)   Portador de Surdez Moderada - Perda auditiva de 41 a 55 dB, é necessária uma voz de certa intensidade para que seja percebida, ao telefone não escuta com clareza, trocando muitas vezes a palavra ouvida por outra foneticamente semelhante (pato/rato). Nesse caso é frequente o atraso da linguagem.

d)  Portador de Surdez Acentuada - Perda auditiva entre 41 e 70 dB. Não escuta sons importantes do dia-a-dia (o telefone tocar, a campainha, a televisão). Esses limites se encontram no nível da percepção da palavra, sendo necessário uma voz de certa intensidade para que seja convenientemente percebida. É frequente o atraso de linguagem e as alterações articulatórias, havendo, em alguns casos, maiores problemas linguísticos. Esse indivíduo tem maior dificuldade de discriminação auditiva em ambientes ruidosos. Em geral, ele identifica as palavras mais significativas, tendo dificuldade em compreender certos termos de relação e/ou frases gramaticais complexas. Sua compreensão verbal está intimamente ligada à sua aptidão para a percepção visual, Necessitando deste apoio visual para entender o que foi dito. Tem dificuldade de falar ao telefone, com a possibilidade de troca da palavra ouvida por outra foneticamente semelhante (pato/gato, cão/não, céu/mel). A perda acentuada não permite ouvir o telefone, a campainha e a televisão, tornando necessário o apoio visual para a compreensão da fala.

e)  Portador de Surdez Severa – Perda auditiva entre 71 e 90 dB. Este tipo de perda vai permitir que o indivíduo identifique alguns ruídos familiares, Se a família estiver bem orientada pela área educacional. Percebe, mas não entende a voz humana, não distingue os sons (fonemas) da fala. A compreensão verbal vai depender, em grande parte, de aptidão para utilizar a percepção visual (leitura labial) e para observar o contexto das situações. Nesse nível de surdez é possível escutar sons fortes, como o de caminhão, avião, serra elétrica, mas não é possível ouvir a voz humana sem amplificação. É comum atingir os 4 ou 5 anos de idade sem ter aprendido a falar e necessita de um atendimento especializado para adquirir a linguagem oral.

f)   Portador de Surdez Profunda - Perda auditiva superior a 90 dB. A gravidade dessa perda é tal, que priva a pessoa das informações auditivas necessárias para perceber e identificar a voz humana, impedindo-o de adquirir naturalmente a linguagem oral. As perturbações da função auditiva estão ligadas tanto à estrutura acústica, quanto à identificação simbólica da linguagem. Um bebê que nasce surdo balbucia como um de audição normal, mas suas emissões começam a desaparecer à medida que não tem acesso à estimulação auditiva externa, fator de máxima importância para a aquisição da linguagem oral. Assim também, não adquire a fala como instrumento de comunicação, uma vez que, não a percebendo, não se interessa por ela, e não tendo "feedback" auditivo, não possui modelo para dirigir suas emissões. A construção da linguagem oral no indivíduo com surdez profunda é uma tarefa longa e bastante complexa, envolvendo aquisições como: tomar conhecimento do mundo sonoro, aprender a utilizar todas as vias perceptivas que podem complementar a audição, perceber e conservar a necessidade de comunicação e de expressão, compreender a linguagem e aprender a expressar-se. Neste nível de audição só são audíveis sons graves que produzam vibração (trovão, avião). Assim sendo, se uma criança já nasce com ou adquire uma surdez severa ou profunda antes de ter acesso à língua oral de sua comunidade, vai ter muitas dificuldades de se integrar ao “mundo dos ouvintes”. Embora seja absolutamente necessário dominar a língua de sua comunidade, mesmo que somente na modalidade escrita, sabe-se que a língua de mais fácil acesso para os surdos é a de sinais. É por meio dela que esses indivíduos constroem sua identidade e desenvolvem-se nos aspectos afetivo, cognitivo e social. Logo, faz-se necessário que, desde cedo, a criança surda seja exposta a esta língua e que a família e a escola a utilizem como meio de comunicação e instrução.


g) Anacusia: é a falta total de audição, deve ser trabalhado e estimulado o mais precocemente possível, tendo como conduta pedagógica o mesmo da surdez profunda.