sábado, 10 de abril de 2010

História da Educação de Surdos no Brasil e no Mundo

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE SURDOS NO BRASIL

1855 – Primeira iniciativa de educação de surdos quando o professor francês surdo Ernest Huet, a convite de D. Pedro II, veio ao Brasil e preparou um programa que consistia em usar o alfabeto manual e a Língua de Sinais da França. Apresentou documentos importantes para educar os surdos, mas ainda não havia escola especial. Solicitou então ao imperador D. Pedro II um prédio para fundar uma escola.

1857 – No dia 26 de setembro, através da Lei 839, assinada por D. Pedro II, fundou-se o então Instituto Nacional de Educação dos Surdos-Mudos, atualmente Instituto Nacional de Educação dos Surdos (INES) no Rio de Janeiro. Huet foi Diretor do Instituto de Surdos de Paris e do INESM.

1862 – Huet deixa o Rio de Janeiro e retorna à França sem motivo conhecido. Problemas particulares? Problemas políticos? Problemas educacionais?

1873 – Surge a publicação do mais importante documento encontrado até hoje sobre a Língua Brasileira de Sinais, o “Iconographia dos Signaes dos Surdos-Mudos”, de autoria do aluno surdo Flausino José da Gama, ex-aluno do INSM com ilustrações de sinais separados por categorias (animais, objetos, etc). Esta linguagem não é mais usada atualmente.

1913 – Em 24 de Maio, é fundada por João Brasil Silvado Jr. a Associação Brasileira dos Surdos-mudos (ABSM), cuja cultura obteve um grande desenvolvimento.

1911 - O Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) passou a seguir a tendência mundial, utilizando o oralismo puro.

1930 a 1947 – Dr. Armando Paiva Lacerda ex-diretor do INES. Exige que os alunos não usem a Língua de Sinais: podendo apenas utilizar o alfabeto manual e um bloco de papel com lápis no bolso para escrever as palavras que quisessem falar.

1950 – Os surdos não conseguem adaptar-se a essa imposição do oralismo e continuam a usar a Língua de Sinais e o alfabeto manual. Os professores e inspetores burlam as ordens na comunicação com os alunos surdos.

1957 - Proibida totalmente a utilização da língua de sinais no INES.

Década de 1950 – O poder do método oralista francês cresce em todo o Brasil sob a responsabilidade da Profª. Alpia Couto, que, dentro do Centro Nacional de Educação Especial, realiza projetos na área de DEFICIÊNCIA AUDITIVA. O desconhecimento e a falta de convivência com os surdos provocam prejuízos na cultura da comunidade surda, o empobrecimento da Língua de Sinais e a falta de acesso às informações sociais. As questões da Educação Especial se tornam apenas vinculadas a interesses político-econômicos.

1975 - Chega ao Brasil a Comunicação Total.

1977 - Criado no Rio de Janeiro a Federação Nacional de Educação e Integração dos Deficientes Auditivos, FENEIDA, com diretoria de ouvintes.

1980 - Chega ao Brasil o Bilinguismo, porém de fato em 1990.

1981 - Início das pesquisas sistematizadas sobre a Língua de Sinais no Brasil.

1982 - Lucinda Ferreira Brito inicia seus importantes estudos linguísticos sobre a Língua de Sinais dos índios Urubu-Kaapor da floresta amazônica brasileira, após um mês de convivência com os mesmos, documentando em filme sua experiência. A idéia para a pesquisa, segundo a própria autora (1993), adveio da leitura de um artigo publicado no livro acima citado de Umiker-Sebeok (1978), de autoria de J. Kakumasu, Urubu Sign Language. No estudo, a Língua de Sinais dos Urubu-Kaapor se diferenciaria da PSL por constituir um veículo de comunicação intratribal e não como meio de transação comercial. Lucinda Brito, porém, constatou que a mesma se tratava de uma legítima Língua de Sinais dos surdos, pelos mesmos criada. 1982 - Elaboração em equipe de um projeto subsidiado pela ANPOCS e pelo CNPQ intitulado "Levantamento linguístico da Língua de Sinais dos Centros Urbanos Brasileiros (LSCB) e sua aplicação na educação". A partir desta data, diversos estudos linguísticos sobre LIBRAS são efetuados sobre a orientação da linguista L. Brito, principalmente na UFRJ. A problemática da surdez passa a ser alvo de estudos para diversas Dissertações de Mestrado.

1983 - Criação no Brasil da Comissão de Luta pelos Direitos dos Surdos.

1986 - O Centro SUVAG (PE) faz sua opção metodológica pelo Bilinguismo, tornando-se o primeiro lugar no Brasil em que efetivamente esta orientação passou a ser praticada.

1987 - Criação da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS), EM 16/05/87, sob a direção de surdos.

1991 - A LIBRAS é reconhecida oficialmente pelo Governo do Estado de Minas Gerais (lei nº 10.397 de 10/1/91).

1994 - Brito passa a utilizar a abreviação LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), que foi criada pela própria comunidade surda para designar a LSCB (Língua de Sinais dos Centros Urbanos Brasileiros).

1994 - Começa a ser exibido na TV Educativa o programa VEJO VOZES (out/94 a fev/95), usando a Língua de Sinais Brasileira.

1995 - Criado por surdos no Rio de Janeiro o Comitê Pró-Oficialização da Língua de Sinais.

1996 - São iniciadas, no INES, em convênio com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), pesquisas que envolvem a implantação da abordagem educacional com Bilinguismo em turmas da pré-escola, sob a coordenação da linguista E. Fernandes.

1998 - TELERJ - do Rio de janeiro, em parceria com a FENEIS, inauguraram a Central de atendimento ao surdo - através do número 1402, o surdo em seu TS, pode se comunicar com o ouvinte em telefone convencional.

1999 - Em março, começam a ser instaladas em todo Brasil telessalas com o Telecurso 2000 legendado.

2000 - Closed Caption, ou legenda oculta. Após três anos de funcionamento no Jornal Nacional ela é disponibilizada aos surdos também nos programas Fantástico, Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal da Globo e programa do JÔ.

2000 - TELERJ: Telefone celular para surdos com a opção de SMS.

2002 - É promulgada a lei 10.436 em 24 de abril, reconhecendo a Libras como língua oficial das comunidades surdas do Brasil.

2005 - O Decreto 5626 em 22 de dezembro veio regulamentar a lei 10436.

2006 - Exame de Certificação Tradutor Intérprete de Libras – Prolibras, instrutor de Libras e o Curso de Letras-Libras Bacharelado e Licenciatura EaD.

2010 - Curso Superior de Letras-Libras Bacharelado e Licenciatura presencial UFSC.

2010 - Promulgada a lei 12.319 em 01 de Setembro, que regulamenta o exercício da profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS.

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HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE SURDOS NO MUNDO

1520 a 1584 – Espanha: Pedro Ponce de Leon inicia a educação dos surdos através do uso da Língua de Sinais e do alfabeto manual (essencial do método ponce), este se baseava na aprendizagem das palavras começando pela leitura e escrita.

1613 – Espanha: Juan Pablo Bonet atribuiu grande importância à existência de um ambiente linguístico rico, além de priorizar o uso do alfabeto manual juntamente com a escrita para o ensino da fala. Defende que o treino da fala seja iniciando precocemente.

1616 a 1698 – Inglaterra: Holder defende que a reeducação deveria começar pelo ensino da escrita e utiliza o alfabeto de duas mãos para apoiar o treino da fala.

1620 – Espanha: Foi publicado o Livro Reduccion de las letras y artes para enseñar a hablar a los mudos, que falava da invenção do alfabeto manual de Ponce de Leon, por Juan Martin Pablo Bonet. Já em 1644 e 1648 foram publicados respectivamente, os livros: Chirologia e Philocopus, de J. Bulwer. Ambos eram acerca da língua de sinais. No entanto, o primeiro acreditava na universalidade da língua e o segundo afirmava que a língua de sinais tinha a capacidade de expressar os mesmos conceitos que a língua oral.

1648 – Inglaterra: John Bulwer é o autor do 1º trabalho sobre leitura labial da língua inglesa, de cuja aprendizagem faz depender a posterior aquisição da fala.

1616 a 1703 – Inglaterra: O matemático e educador de surdos John Wallis dedica pouca atenção à leitura labial e procede ao treino da fala independentemente do apoio no alfabeto manual. Inicia a reeducação através de gestos naturais usados pelos alunos para depois passar à escrita.

1626 a 1687 - Inglaterra: Jeorge Dalgarno atribui grande importância à educação precoce e ao ambiente linguístico em que a criança surda deve ser educada. Defende o uso contínuo da datilologia desde o berço para permitir ao bebê o desenvolvimento da linguagem.

1715 a 1780 – Portugal: Jacob Rodrigues Pereira utiliza o alfabeto manual como apoio do ensino da fala.

1712 a 1789 – França: O abade l'Epée (Charles-Michel de l'Epée: 1712 -1789) defende que a mímica constituiu a linguagem natural ou materna dos surdos. Conclui que a linguagem dos gestos é um verdadeiro meio de comunicação e de desenvolvimento do pensamento”.

1750 – Alemanha: O Oralismo foi fundado por Samuel Heinicke, que adotou uma metodologia conhecida como o “método alemão”.

1750 – França: Charles-Michel de L´Epée envolveu-se com a comunidade surda, aprendeu a língua e acabou fundando em 1775 uma escola pública em sua própria casa, onde professores e alunos usavam os chamados “sinais metódicos”.

1760 – França: l'Epée iniciou o trabalho de instrução formal com duas surdas a partir da Língua de Sinais que se falava pelas ruas de Paris, datilologia/alfabeto manual e sinais criados e obteve grande êxito, sendo que a partir dessa época a metodologia por ele desenvolvida tornou-se conhecida e respeitada, assumida pelo então Instituto de Surdos e Mudos (atual Instituto Nacional de Jovens Surdos), em Paris, como o caminho correto para a educação dos seus alunos.

1817 - Estados Unidos: Thomas Hopkins Gallaudet e Laurent Clerc fundam a primeira Escola de Surdos em Harttord o AMERICAM ASYLUM FOR THE EDUCATION OF THE DEAF AND DUMB. Desde 1864 Gallaudet University.

1850 – Estados Unidos: A ASL, e não o inglês sinalizado passa a ser utilizada nas escolas, assim como ocorria na maior parte dos países europeus. Nesse período, houve uma elevação no grau de escolarização dos surdos, que podiam aprender com facilidade as disciplinas ministradas em língua de sinais.

1860 – Estados Unidos: O método oral começa a ganhar força.

1869 – Estados Unidos: Surgiram então opositores à língua de sinais, que ganharam força a partir da morte de Laurent Clerc.

1880 – Itália: Em Milano, o Iº CONGRESSO MUNDIAL DOS SURDOS considera que o uso simultâneo da fala e dos gestos mímicos tem a desvantagem de impedir que o desenvolvimento da fala da leitura labial e da precisão das idéias. E declara que o método oral puro deve ser preferido de forma definitiva e oficial. Das 164 representantes presentes, apenas os cincos dos EUA não votam em favor do ORALISMO.

1851 a 1990 – Gallaudet University – EUA: Gallaudet tem a história de luta. Força e poder em prol de defesa dos direitos dos surdos e da Língua de Sinais. Na educação. Utiliza forma radical a Língua de Sinais. Seu progresso e desenvolvimento resultam na Universidade com conhecimento mundial, num trabalho que começa com e estimulação precoce e vai até os cursos de PHD E Academia Superior de surdo; preconiza que não é necessária a educação especial para os surdos, bastando apenas que, na comunicação, o direito à Língua de Sinais seja respeitado. Juntamente com Laurent Clerc e sob a influência de L’Epee, Gallaudet nunca aceitou a imposição do Congresso de Milão e não concordou com a mudança para uma metodologia oral.

1960 – Estados Unidos: É implantada a filosofia da Comunicação Total. William Stokoe prova que a linguagem gestual, de natureza visual-especial, tem estrutura e aspectos próprios, como qualquer língua.