sábado, 10 de abril de 2010

SignWriting

É um sistema de escrita visual direta de sinais, desenvolvido pela norte-americana Valerie Sutton (1998), e sistematicamente descrito e desenvolvido em Capovilla e Sutton (2001). Estudiosa da dança, Sutton criou um sistema de notação de coreografias conhecido como DanceWriting. Na década de 70 começou a fazer experiências no registro da fascinante Língua de Sinais. Hoje, SignWriting é usado em todo o mundo. Há também um programa de computador chamado SignWriter (Gleaves & Sutton, 1995), especialmente delineado para esta escrita. No Brasil, SignWriting vem sendo usado em cursos de informática e língua de sinais para crianças surdas (Stampf 1998), escrever estórias de contos infantis em LIBRAS (Strobel 1995), para documentar a gramática da LIBRAS (Quadros 1999), e para documentar os sinais da LIBRAS no Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilingue de LIBRAS (Capovilla, Raphael e Luz, 2001b e 2001c).
Os sistemas de escrita alfabéticos representam os fonemas de que se compõem as palavras, enquanto que o SignWriting representa os quiremas de que se compõem os sinais. Ele emprega diferentes símbolos para representar os diversos componentes da LIBRAS tais como as configurações de mão; sua localização no espaço, e sua orientação, os tipos formas, frequências e dimensões dos movimentos, expressões faciais e corporais. Uma descrição detalhada pode ser encontrada no Dicionário Enciclopédico Trilingue de LIBRAS, CAPOVILLA Fernando & RAPHAEL Walkíria, ou no endereço www.signwriting.org.

Diferentemente das línguas orais, que podem ser registradas na modalidade escrita, as línguas sinalizadas, historicamente, eram e ainda são, até hoje, na maioria das vezes, registradas fielmente, com o recurso de vídeo.
A escrita de sinais, Sign Writing, foi criada para que, os registros das línguas sinalizadas não dependessem das traduções das línguas orais, que possuem outras estruturas gramaticais e culturais, ocasionando assim distorções. Signwriting é um sistema rico que mostra a forma das línguas de sinais.
 
Uma rápida cronologia sobre Sign Writing:
1974 Sign Writing foi criada por Valerie Sutton. Ela criou um sistema para escrever danças e despertou a curiosidade dos pesquisadores de língua de sinais. Foi na Dinamarca que foi registrada a criação de um sistema de escrita de LS.
1977 Houve o primeiro workshop sobre Sign Writing.
1978 Foram editadas as primeiras lições em vídeo.
1979 Valerie Sutton e a equipe do Instituto Técnico Nacional para Surdos de Rochester - NY fizeram alguns livretos, em que usaram ilustrações em Sign Writing.
1980 Valerie Sutton apresentou uma forma de se analisar a LS, sem passar pela tradução da língua falada. A escrita de sinais começou a se desenvolver a partir de um sistema escrito a mão livre e depois passou a ser escrito pelo computador.
1996 A PUC do RS, em Porto Alegre, formou um grupo de trabalho para pesquisas de SignWriting. Participa desse grupo, Marianne Stumpf, como colaboradora e autora da adaptação do Hino Nacional. A evolução do Sign Writing apresenta características da evolução da escrita. Um mesmo sinal pode ser produzido de formas diferentes. Há variações de sinais de escola para escola, entre comunidades de surdos e entre estados.


A interpretação do Hino Nacional foi feita com sinais usados em São Paulo, mais especificamente na Escola Especial para Crianças Surdas.

Abaixo, segue parte do registro do Hino Nacional em Sign Writing.

 


Fonte do Hino: TAMBÉM SOMOS BRASILEIROS
                        Escola Especial para Crianças Surdas – FRSP 2000

Tradução

Entende-se por tradução a passagem de um texto escrito de uma língua para outra. Quando o texto for oral, diz-se que há interpretação. A interpretação é um tipo de tradução. Mas há nessas atividades diferenças fundamentais. No trabalho o tradutor dispõe de tempo para compreender o texto a ser traduzido, utilizando, se necessário, estratégias como glossário, notas de rodapé, comentários, etc. Enquanto que ao intérprete cabe ouvir, entender, assimilar, reproduzir. Ele necessita de boa memória e raciocínio rápidos. A atividade do intérprete implica forçosamente improvisação, limitação de tempo, rapidez de ritmo, exigências excepcionais de memória, espera de reação imediata. Por isso é importante que o intérprete da Língua de Sinais conheça previamente o texto da língua-fonte com a finalidade de realizar um trabalho fiel possível.

Resumindo: Língua oral (Português) para Língua de Sinais = Interpretação
                    Língua de Sinais para Língua oral (Português) = Tradução

INTRODUÇÃO
Traduzir de sinais para voz é, provavelmente, o maior desafio para os intérpretes das Línguas de Sinais. São muitos os conhecimentos e domínios necessários para que aconteça uma boa, coerente e real tradução. Em diversos países temos muitos intérpretes leitores de sinais, porém, não tradutores. Produzir sinais (no geral) é muito mais fácil do que ler sinais, até mesmo porque nós (ouvintes) temos o hábito de ouvir uma língua e não de vê-la.

Diante de uma grande platéia ouvinte (não sinalizadora), maior será a admiração por ver o intérprete sinalizando do que traduzindo. A crítica ao intérprete que atua como sinalizador poderá vir do público surdo presente – porém, em geral, os surdos são (não deveriam ser) bem mais passivos ou até mesmo flexíveis. A platéia ouvinte, nesse caso, por ser leiga, não tem como criticar.

Entretanto, o contrário é muito diferente e bem mais complexo. Os surdos estão em situação acrítica durante o processo de tradução, e os ouvintes não. Por estarem totalmente conectados e até dependentes da fala do tradutor-intérprete, eles se posicionam de forma ativa em relação ao orador.

A corporeidade vocal (ou não) será forte determinante para a interação (ou não) com essa platéia, bem como sobre a visão que terão desse indivíduo que está sendo traduzido.

Atualmente (e de forma crescente), os surdos têm protagonizado mais e mais sua própria história, e a demanda por bons intérpretes-tradutores tem aumentado dia a dia. Como sujeitos de sua história, os surdos têm se apresentado com maior frequência como palestrantes em congressos (de surdos ou não), escolas, empresas etc., e os ouvintes tradutores têm sido com mais incidência co-responsáveis para eliminar as barreiras de comunicação e romper paradigmas sociais sobre quem são esses cidadãos surdos.

Mais do que apoio técnico (oralidade, letramento, inclusão, protetização etc.) que os surdos têm recebido da comunidade ouvinte durante anos, eles têm solicitado, mais e mais, apoio humano por meio de tradutores-intérpretes que, literalmente, atuam como porta-vozes de suas falas e/ou embaixadores orais de suas idéias junto à comunidade ouvinte leiga.

Cada vez mais, como direito à cidadania plena e protagonismo de sua própria história, a comunidade surda tem discursado “ao vivo e em cores”, ante aos olhos dos que, voluntária ou involuntariamente, não teriam acesso às suas “falas”, se não fosse pela mediação de um intérprete-tradutor. Esses intérpretes têm apoiado os surdos na sua inclusão plena e igualdade de direitos junto à sociedade majoritária.

Toda a tecnologia e técnicas para desenvolver a oralidade dos surdos jamais poderão substituir a necessidade e o direito que os surdos têm de se expressar em sua própria língua materna (no caso, a Libras) e serem compreendidos por todos, acima de tudo, pela sociedade majoritária que não sabe Língua de Sinais.

O surdo não tem obrigação de narrar-se em Libras como se fosse um ouvinte, com a estrutura gramatical do português. O seu discurso em Libras é o seu próprio ato de pensar, que é muito mais que um acontecimento cerebral. É um ato que ocorre a um montante de símbolos (icônicos ou arbitrários), de pensamento imagético e, consequentemente, imagens visuais, experiências “auditivas”, gustativas, táteis, olfativas, sinestésicas e proprioceptivas que estão “transitando” neste discurso; os objetos em experiência sobre os quais os surdos imprimiram significado – sua cosmovisão.

Dessa forma, os surdos atuarão com uma cidadania mais participativa e igualitária, valendo-se dos seus direitos não somente de pertencer, mas de ser, de tomar decisões, da autonomia, de celebração das diferenças, da valorização da diversidade humana, do aprendizado cooperativo, da equiparação de oportunidades, da solidariedade humana, da independência, do "empowerment", da autodeterminação, da rejeição zero e da cidadania plena com qualidade de vida.

Como vemos, para a grande maioria dos surdos, o papel do (bom) intérprete-tradutor é fundamental (em alguns casos indispensáveis) para que o indivíduo surdo seja realmente o principal protagonista de sua própria história.

PRELIMINARES PARA A (BOA) TRADUÇÃO
A tradução LIBRAS – Língua Portuguesa é muito mais que apenas um processo de recepção/transmissão de uma língua para outra. O intérprete-tradutor é (ao menos deveria ser) um participante ativo nesse setting de comunicação. Seu amplo conhecimento social e linguístico influenciará imensamente na qualidade dessa tradução. Como uma ponte entre duas culturas, ele precisa de grande conhecimento teórico-prático das culturas envolvidas nessa interação linguística.

São quatro (4) atividades exigidas na tradução:
1. VER em uma língua
2. Mas não somente VER, mas VER e COMPREENDER
3. Não somente FALAR, mas falar e se FAZER COMPREENDER
4. FALAR na outra

TRADUZINDO SIGNIFICADOS
Podemos realizar o que chamamos de uma boa leitura de sinais (dos significantes), uma vez que a Língua de Sinais em si mesma pode vir de nosso léxico mental já memorizado, entretanto, os significados linguísticos emergem muito mais de um conhecimento não-verbal aliado a esse conhecimento formal.

Traduzir é muito mais do que enviar falas de A para B. Recebemos informações que são (re)constructos de idéias de A e as convertemos em nossa própria representação mental para B – a cosmovisão do outro de encontrar com nossa particular cosmovisão, que, ali, se fundem e se respeitam: é a própria capacidade de autopoiesis do intérprete. Linguagem e conceitos são inseparáveis.

Traduzir é o ato de entendermos as intenções, significados, fenômenos paralinguísticos, etc. para expressá-los em nossas próprias palavras. É passar os sentidos desse discurso e não palavras isoladas desprovidas de seus significados contextuais. É compreender esses fenômenos extras ou paralinguísticos, além dos complementos cognitivos adicionados a esse discurso.

Traduzir sinais orais, acima de tudo, evidencia que necessitamos de muitos conhecimentos extralinguísticos na tarefa de entender essas “falas” repletas de informações não-verbais, muito mais do que fazer a transposição de uma percepção visual para uma expressão verbal, é, também, a percepção do discurso não-sinalizado do outro.

O entendimento humano de sentenças isoladas evoca apenas parte do conhecimento de quem está ouvindo. “Embebido” do contexto, os eventos discursivos evocam muito mais nossos conhecimentos internalizados.

Enfim, essa percepção não-verbal, aliada à memória não-verbal do intérprete-tradutor e da platéia, não é somente a base de uma boa tradução, mas a chave do entendimento do como adquirir conhecimento e colocar luz sobre a natureza dos pensamentos e o porquê da fala do sinalizador.

TIPOS DE TRADUÇÃO
Tradução Espontânea: é a própria performance do sinalizador, improvisada e sem preparação prévia. O intérprete-tradutor não teve tempo algum para ver o texto ou a “fala” do sinalizador. Alguns exemplos disso são palestras não programadas, consultas médicas, entrevista para emprego, situações jurídicas, orientações e procedimentos em uma empresa etc. (inclusive, nessas situações, o intérprete executa função dupla e simultânea, o que torna tudo muito mais difícil).
Somente a experiência e a prática é que facilitarão cada vez mais a atuação como intérprete-tradutor nessas situações específicas, uma vez que não há como prever o que acontecerá em cada caso.
Importante: em situações judiciais, médicas, psicológicas, anamneses, entrevistas para emprego, provas e outras semelhantes, a má tradução influenciará profundamente na compreensão e no andamento dos processos.

Tradução Fixa: são traduções de textos ou “falas” já conhecidas como a oração do Pai Nosso, textos escritos conhecidos, poesias da cultura ouvinte adaptadas para Libras, textos do Estatuto dos Direitos Humanos, Estatuto dos Direitos da Criança, leis, documentos oficiais, atas, peças teatrais com textos de falas decoradas etc. Nessas situações, provavelmente, o intérprete-tradutor terá in loco o material a ser traduzido.
Entretanto, cuidado: ainda que o texto seja o mesmo, cada sinalizador imprimirá seu registro linguístico personalizado, seu ritmo, sua poesia, sua personalidade, inclusive podendo ser diferente em comparação à última vez em que ele mesmo sinalizou esse mesmo texto – dificilmente falamos a mesma coisa da mesma forma duas vezes!

Tradução Preparada: é a situação considerada ideal para uma boa tradução porque o intérprete terá condições de se preparar com antecedência. A quantidade dessa preparação varia de acordo com o que cada situação requer, podendo ser breve ou extensa. Veja a seguir alguns exemplos em que a preparação se faz importante.
Defesas de teses, apresentação de TCCs, monografias, palestras científicas etc. devem ser lidas e estudadas com muita antecedência.
Apresentações de peças teatrais: os tradutores devem participar de todos os ensaios porque serão “co-atores” durante toda a encenação.
Palestrantes de cidades diferentes das cidades dos tradutores, ainda que enviem textos com antecedência, devem estudar juntos, pois há sinais específicos que são diferentes para cada região do país

É importante enfatizar que o intérprete-tradutor deve estar aberto e preparado para mudanças espontâneas do sinalizador, mesmo dentro da proposta tradução preparada, tais como: ilustrações que surgem na hora, pequenas dramatizações, novas anáforas, acréscimo de novas idéias, sinais, personagens, linha de pensamento, novas ênfases e entonações etc., além do fator nervosismo do palestrante, que também poderá alterar a sua “fala”.

ANTECIPANDO O TIPO DE AUDIÊNCIA
Outra dimensão a ser reconhecida pelo tradutor-intérprete é o número de participantes e o tipo de atividade comunicativa necessária para cada audiência específica: se a tradução será feita um a um, em grupos pequenos, médios ou grandes. Cada setting determinará a forma de traduzir, de se posicionar fisicamente e os aparatos necessários para que a comunicação aconteça de forma excelente e bem contextualizada – o uso (ou não) de microfones, de caixas de som potentes (ou não), de “contra-intérpretes” (preferencialmente surdos) ou não, e até mesmo do apoio de outros intérpretes.



RESUMO DOS ASPECTOS MAIS IMPORTANTES PARA UMA BOA TRADUÇÃO:
1. Conhecimento das línguas de origem e destino.
2. Conhecimento Social de ambas as culturas (ouvinte e surda).
3. Qualidade de voz, articulação e entonação.
4. Contato visual.
5. Lag-time (tempo de espera).
6. Vínculo, convivência ou relação de confiança com o surdo sinalizador.
7. Adequação do discurso / sinalizador / público destino


Referencial Bibliográfico: INES - Fórum 13 (2006)

Modalidades da Libras

A comunicação dos surdos permeia basicamente em três estágios:

a) Língua de Sinais, que se divide em Formal e Informal,
b) Sistemas de Classificação,
c) Português Sinalizado ou Português com Sinais.

Estes são níveis em que os surdos utilizam a Língua de Sinais de maneira mais “pobre” e/ou mais “rica” do vocabulário da sua própria língua, da mesma maneira que na língua nacional existe o vocabulário popular (coloquial) e o erudito.

a1) A Língua de Sinais Formal utiliza a estrutura da Língua de Sinais, que é a imagem do pensamento, porém, fiel ao português, ou seja, o sinal é fiel à palavra.

a2) A Língua de Sinais Nativa ou Informal (não confundir com dialetos, mímica, gestos, pantomima) utiliza a estrutura da Língua de Sinais, ou seja, a colocação do objeto sem o artigo e a preposição, e não é fiel ao português, ou seja, o sinal apresentado é composto pela visualização da imagem mental da coisa, pessoa, animal ou situação a ser descrita, usando expressões próprias da língua como, por exemplo, os Classificadores. (esta é a dificuldade maior com a estrutura da Língua Portuguesa).
A maioria dos surdos utiliza a Língua de Sinais informal na comunicação. Podemos afirmar que, é muito difícil para o surdo, que só utiliza a Língua de Sinais informal (nativa), aprender a Língua Portuguesa. Nestes casos, é válida a prática da Língua de Sinais Formal, mesmo incorrendo no Bimodalismo, ou Português Sinalizado, para obter um melhor desempenho com a Língua Portuguesa.

b) Sistemas de Classificação (tópico já abordado anteriormente)

c1) O Português Sinalizado é uma modalidade de comunicação que foi bastante utilizada na educação de surdos durante a era da Filosofia de Educação da Comunicação Total, amplamente difundida na década de 70. Essa prática recebe também o nome de ‘Bimodalismo’ porque usa os sinais dispostos na sintaxe e semântica da Língua Portuguesa. Isto se dá traduzindo literalmente cada palavra do português pelo seu sinal correspondente em LSB. Esta prática fere profundamente as regras semânticas e sintáticas da Língua de Sinais, que usada desta forma, perde sua identidade tornando sua comunicação ineficiente. O objetivo era facilitar a comunicação e a aquisição da linguagem pela criança surda e, consequentemente, alcançar um melhor desempenho na leitura e na escrita.

Embora, por princípio, a Comunicação Total apoiasse o uso simultâneo da Língua de Sinais com a língua falada, na prática, tal conciliação nunca foi e nem poderia ser efetivamente possível devido à natureza extremamente distinta da Língua de Sinais com sua morfologia e sintaxe simultânea e espacial e, logo, à descontinuidade entre ela e a língua falada pela impossibilidade de preservar as estruturas das duas línguas ao mesmo tempo, além da Língua Portuguesa sinalizada constituir-se num sistema artificial para o surdo.

É difícil para as pessoas surdas entenderem a mensagem do conteúdo em situações mais complexas, como o ensino do conteúdo, ele confronta duas modalidades desorganizando o entendimento. A tradução fragmentada congela as estruturas da LSB, privando-a de suas representações espaciais – que incluem movimento e direção – responsáveis pela concordância e pelas relações sintáticas, entre outros aspectos linguísticos, geradores de sentido, e, ainda, despreza as diferenças estruturais entre a língua-fonte e a língua-alvo. Além disso, essa estratégia não dá conta dos Classificadores, constituintes da LSB, que, além de descreverem objetos, descrevem ações no espaço.

A naturalidade com que muitos surdos traduzem palavra por palavra da LP para a LSB pode ser explicada como resultado da prática de interpretação estanque e descontextualizada a qual foram e têm sido submetidos nos métodos da Comunicação Total que preconizam o Português Sinalizado como técnica importante para o acesso à língua-alvo para os surdos. Nessa abordagem, a LSB não passa de trampolim para se chegar à LP, é apenas um instrumento para o aprendizado da LP. Pouco importa a estrutura da LSB, pois, na Comunicação Total, a LS é vista como um recurso a mais, uma “linguagem” pobre e simplificada e não uma língua com características próprias e especificidades.

c2) O Português Com Sinais é muito parecido com o Português Sinalizado, porém, com as seguintes diferenças: em vez de basear-se na estrutura do português, usa a base escrita da língua, o que faz com que haja variações de concordância e flexões que são digitadas. Isto ocorre também com as preposições, artigos, conjunções e outros elementos que não encontram correspondência na Libras.

O PIDGIN nasce da utilização de palavras de uma língua com a estrutura de outra língua. Quando estão em contato social, o pidgin surge do intercâmbio de uma língua com outra. Portanto, podemos afirmar que o Português Sinalizado e o Português Com Sinais são exemplos de PIDGIN.

Referencial Bibliográfico: Cappovilla, Quadros, Britto, Imagem do Pensamento - Editora Escala

Sistema Sintático

A Sintaxe é a parte da gramática de uma língua que estuda a disposição ou ordem das palavras na frase e a disposição ou ordem das frases no discurso, bem como a relação lógica das frases entre si.

Segundo Valentini, /VAL95/, o estudo da descrição quanto à relação dos elementos estruturais e das regras que regem a combinação de sentenças ainda não é completo na Libras. Porém, apresenta regras próprias e básicas. O que se pode afirmar é que as línguas de sinais apresentam pouco uso, ou nenhum, de artigos, preposições e conjunções. Também, por vezes, ocorre omissão dos verbos de ligação como ser, estar, ficar, ter, haver e demais verbos que estejam cumprindo com a função de verbo auxiliar ou de ligação. Entretanto, Brito, citado em /VAL95/, afirma que a organização sintática básica dos sinais, dentro de uma oração em LIBRAS, segue a mesma ordem das línguas orais: Sujeito - Verbo - Objeto que são princípios universais de ordem das palavras. Outros autores já têm defendido a ordem Objeto – Sujeito – Verbo, argumentando ser esta a ordem mais natural da Língua de Sinais “nativa” e que devemos respeitar sua construção cultural natural.

Existem também outras correntes que têm militado em defesa da ordem canônica das línguas orais, Sujeito – Verbo – Objeto, e ignorando a origem cultural, educacional dos alunos surdos, têm imposto no ensino fundamental o uso da Libras nesta plataforma sintática, construindo assim, uma nova geração de surdos que naturalmente farão uso deste sistema sintático, em detrimento do sistema sintático nativo, natural.

A despeito destas grandes controvérsias e de estarmos longe de um consenso em relação à correta sintaxe da Língua de Sinais, o que se tem verificado na prática é que dentro da cultura surda, dependendo da classificação da identidade surda, nível escolar, social e cultural, haveremos de conviver com divergências na construção das idéias em uma sintaxe única e padronizada. Isto somente ocorrerá quando houver se desenvolvido o suficiente no que se refere à gramática da Língua de Sinais, que por enquanto, ainda está em fase de construção e aprimoramento, tendo-se em vista que apesar da Língua de Sinais estar sendo utilizada por comunidades surdas há anos, só foi considerada língua oficial no Brasil em 2002. A partir de então, esforços estão sendo envidados para a organização dos sinais, e a construção de uma gramática mais consistente e efetiva.

Outro dado importantíssimo que devemos considerar para efeito de estudos sintáticos da LS é a frequente utilização do Tópico-Comentário pelo surdo na construção de suas frases. Neste modelo, temos a topicalização do objeto, ou seja, o objeto passa a ser o tópico de sentença, enquanto que o verbo, o sujeito e os demais componentes configuram o comentário do tópico.

Conforme publicação do INES: “Em estudos anteriores, dissemos que a ordem preferencial das sentenças da LIBRAS era SVO quando não havia topicalização ou verbos com flexão ou direcionais. Porém, estudos mais aprofundados, apesar de não desmentirem o que dissemos, mostraram que a topicalização é muito mais frequente do que se pensa à primeira vista em LIBRAS. A ordem tópico-comentário é realmente a preferida quando não há restrições que impeçam certos constituintes de se deslocarem.”
http://www.ines.gov.br/ines_livros/35/35_004.HTM 

Infelizmente o Link foi removido pelo INES, mas o conteúdo "A língua de sinais utiliza a estrutura tópico-comentário, enquanto a língua portuguesa evita este tipo de construção"  pode ser encontrado em material do MEC no endereço abaixo:
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/tradutorlibras.pdf 


No que diz respeito à ordem das palavras ou constituinte, há diferenças porque o português é uma língua de base sujeito-predicado (S-V-O) enquanto que a LIBRAS é uma língua do tipo tópico-comentário (O-S-V).

Uma corrente atual fortíssima que não podemos ignorar é a da “Linguística”, que mal interpretada com sua “tendência à permissividade” valoriza o contexto do uso da língua, onde o usual determina a regra, sem respeito às normas cultas. Para uma boa comunicação em uma sociedade é necessário um padrão de linguagem – norma culta – que seja uniforme entre os “falantes”. Para tanto, ela precisa ser rigorosamente controlada, regulamentada, normativizada. É justamente essa a tarefa da Gramática: normativizar a língua, exercer esse controle que garante a uniformidade da norma culta. Mas a Linguística parte do princípio de que a norma culta, embora seja importantíssima, não é o único padrão linguístico existente, e na verdade a maior parte da população se comunica a maior parte do tempo em outras normas que não a norma culta. Este fenômeno ocorre também nas línguas orais.

Vemos também que na construção das frases utilizamos muitos outros elementos que não se enquadram nos três principais (Objeto, Sujeito, Verbo), e que nem sempre seguem uma sequência lógica dentro da frase. É o caso de alguns advérbios, conjunções, elementos de ênfase e outros recursos da língua.
Para ampliar o conceito de Objeto – Sujeito – Verbo na sintaxe da Libras Nativa apresentaremos o esquema abaixo, desenvolvido com exclusividade aqui no Blog:

    
1. Sinal de PEDIR: Com significado de COM LICENÇA ou POR FAVOR, usado preferencialmente no início da frase.
2. TEMPO: Qualquer advérbio de tempo (hoje, ontem, amanhã, semana, mês, ano) Qualquer data ou mesmo um evento pode funcionar como marcador de tempo. Preferencialmente usado no início da frase.
3. OBJETO: É o componente que representa o núcleo, a essência das frases. Sem ele não há frase. Pode vir acompanhado de complementos. Para identificá-lo basta perguntar: “De quem se fala?” ou “Do que se fala?”.
4. SUJEITO: Pode ser um nome, um pronome. Está sempre ligado ao verbo, pois é ele que executa ou sofre a ação. (1ª pessoa frequentemente omitido na LS).
5. VERBO: Representa o modo de atividade ou estado de pessoas, animais ou coisas.
6. ÊNFASE: Usada para dar força ou importância. (VERDADE, SEMPRE, N-U-N-C-A, NÃO, paralelismo negativo). Utilizada preferencialmente ao final da frase.
7. ELEMENTOS INTERROGATIVOS: podem ser um pronome interrogativo (quem, qual, onde, por que, como), um verbo ou qualquer outro que esteja cumprindo com a função de interrogar. Para identificá-lo é simples. Basta fazer a pergunta e observar a resposta.
Ex: Você gosta de futebol? R: Gosto. => Aqui o verbo GOSTAR tem a função de agente interrogativo.

Segundo o INES, “Os pronomes interrogativos QUE e QUEM geralmente são usados no início da frase, mas o pronome interrogativo ONDE e o pronome QUEM, quando está sendo usado com o sentido de “quem é” ou “de quem é” são mais usados no final.
Na LIBRAS, há uma tendência para a utilização, no final da frase, dos pronomes interrogativos QUAL, COMO e PARA-QUE, e para a utilização, no início da frase, do pronome interrogativo POR-QUE, mas os primeiros podem ser usados também no início e POR-QUE pode ser utilizado também no final”.

Conclusão: Como pudemos observar, o importante é que os pronomes interrogativos sejam utilizados preferencialmente no final da frase, como é mais usual na comunidade surda.

Referencial Bibliográfico: INES, MEC Parte 7, Valentini, Britto, Quadros

Tipos de Frase

A Língua de Sinais utiliza as expressões faciais e corporais para estabelecer tipos de frases, como as entonações na língua portuguesa, por isso para perceber se uma frase em Libras está na forma afirmativa, interrogativa exclamativa, imperativa ou negativa precisa-se estar atento às expressões facial e corporal que são feitas simultaneamente com certos sinais ou com toda a frase.

Abaixo, as características básicas das expressões faciais correspondentes aos tipos de frase:
AFIRMATIVA: Expressão facial neutra ou ligeiro movimento com a cabeça para cima
                     e para baixo.
INTERROGATIVA: Sobrancelhas franzidas e ligeiro movimento da cabeça para cima.
EXCLAMATIVA: Sobrancelhas levantadas, e ligeiro movimento da cabeça para cima
                        e para baixo.
IMPERATIVA: Sobrancelhas franzidas, movimento firme da cabeça para baixo.
NEGATIVA: Caracterizada pelo movimento lateral da cabeça para um lado e para
                  o outro, curiosamente existem pelo menos 4 formas de ser efetuada:
     1 - Simultaneamente ao sinal, movimento negativo com a cabeça.
          Recomendado para a maioria dos casos de verbos invariáveis.
          Ex: conhecer, entender, fazer.
     2 - Sinal com movimento contrário marcado pela orientação das mãos.
          Ex: gostar, querer e aceitar.
     3 - Sinal próprio de negação.
          Ex: poder, ter, saber
     4 - Acréscimo do “NÃO” após o verbo, geralmente em casos de ênfase.
         Ocorre principalmente com verbos invariáveis e direcionais, e jamais nos
         casos 2 e 3.
         Ex: viver, aprender, ajudar

Fonte: INES

Tipos de Sinais

Existem diversas divisões, didáticas ou não, para os tipos de sinais na Libras. Descreveremos a seguir as principais delas organizadas de uma forma nunca antes apresentada.

QUANTO À COMPOSIÇÃO: os sinais podem ser:
Simples: quando formados por um único sinal.
Ex: internet, inteligente
Compostos: quando formados por dois ou mais sinais.
Ex: mãe, escola, faqueiro.

QUANTO À FORMA: os sinais podem ser:
Icônicos: quando há compromisso com a forma e/ou o movimento do objeto ou ação.
Ex: copo, bola, nadar
Arbitrários: quando não apresentam compromisso algum com a forma ou o movimento. São sinais codificados que em geral expressam idéias abstratas, sentimentos e emoções, e precisam ser aprendidos.
Ex: particular, próprio

QUANTO À SEMÂNTICA: os sinais podem ser:
Polissêmicos: quando possuem dois ou mais significados, de acordo com o contexto.
Ex: egoísta/problema meu, à toa/tédio/”ficar”
Tautológicos: quando possuem dois ou mais sinais que representam o mesmo significado Ex: verde, branco. 

QUANTO À CONCORDÂNCIA: podem ser:
1) Sinais que não possuem marca de concordância, embora possam ter flexão para aspecto verbal;
Quando se faz uma frase, é como se o verbo “invariável” ficasse no infinitivo.
Exemplo: comprar, trabalhar
2) Sinais que possuem marca de concordância. Este é o grupo de sinais mais complexo por apresentar diversas formas de concordância podem ser subdivididos em:
     a) Concordância número-pessoal: são geralmente verbos direcionais,. Onde a orientação (ou direção), aspectos do movimento, marcam as pessoas do discurso. No ponto inicial a concordância com o sujeito, e no final com o objeto. Pode também ser equivalente à voz ativa e passiva do verbo.
Exemplo 1:
1sPERGUNTAR2s “eu pergunto a você”;
2sPERGUNTAR1s “você me pergunta”
Exemplo 2:
1sRESPONDER2s “eu respondo a você”;
2sRESPONDER1s “você me responde”
     b) Concordância de gênero: são verbos classificadores porque apresentam a característica de incorporação do “objeto”. a eles estão incorporados, através da configuração de mão, a uma concordância de gênero: PESSOA, ANIMAL ou COISA.
Por exemplo:
pessoaANDAR (configuração da mão em V ou D);
veículoANDAR/MOVER (configuração da mão em B, palma para baixo)
animalANDAR (configuração da mão em 5, palma para baixo);
Outros exemplos: cortar, lavar, crescer, abrir, fechar. Dependendo do objeto a ser incorporado a ação se transforma em concordância com o tipo do “objeto”.
     c) Concordância com a localização: são verbos que começam ou terminam em um determinado lugar que se refere ao lugar de uma pessoa, coisa, animal ou veículo, que está sendo colocado, carregado, etc. Portanto o ponto de articulação marca a localização.
Exemplos:
COPO MESA coisa arredondadaCOLOCAR
CABEÇA ATIRAR

Existe ainda um grupo especial de sinais chamado de multidirecionais, como é o caso dos verbos andar e ver, que têm características próprias e pouco se relata sobre eles. Sabe-se que esta direcionalidade está relacionada com a concordância de número-pessoal ou de gênero.

Estes tipos de concordância podem coexistir em um mesmo verbo. Assim, há verbos que possuem concordância de gênero e localização, como o verbo COLOCARacima; e concordância número-pessoal e de gênero, como o verbo DAR. Concluindo, pode-se esquematizar o sistema de concordância verbal, na Libras, da seguinte maneira:
a) concordância número-pessoal = parâmetro orientação de mão
b) concordância de gênero e número = parâmetro configuração de mão
c) concordância de lugar = parâmetro ponto de articulação

Há quem diga que “direcional” obrigatoriamente deva ser uma característica exclusiva dos verbos. É bem verdade que é em maioria. Porém, na contramão desta afirmação estão vários sinais que não têm função verbal e se comportam com as mesmas características de concordância, como: MEU-SINAL, MEU-NOME.

Referencial Bibliográfico: INES

História da Educação de Surdos no Brasil e no Mundo

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE SURDOS NO BRASIL

1855 – Primeira iniciativa de educação de surdos quando o professor francês surdo Ernest Huet, a convite de D. Pedro II, veio ao Brasil e preparou um programa que consistia em usar o alfabeto manual e a Língua de Sinais da França. Apresentou documentos importantes para educar os surdos, mas ainda não havia escola especial. Solicitou então ao imperador D. Pedro II um prédio para fundar uma escola.

1857 – No dia 26 de setembro, através da Lei 939, assinada por D. Pedro II, fundou-se o então Instituto Nacional de Educação dos Surdos-Mudos, atualmente Instituto Nacional de Educação dos Surdos (INES) no Rio de Janeiro. Huet foi Diretor do Instituto de Surdos de Paris e do INESM.

1862 – Huet deixa o Rio de Janeiro e retorna à França sem motivo conhecido. Problemas particulares? Problemas políticos? Problemas educacionais?

1873 – Surge a publicação do mais importante documento encontrado até hoje sobre a Língua Brasileira de Sinais, o “Iconographia dos Signaes dos Surdos-Mudos”, de autoria do aluno surdo Flausino José da Gama, ex-aluno do INSM com ilustrações de sinais separados por categorias (animais, objetos, etc). Esta linguagem não é mais usada atualmente.

1913 – Em 24 de Maio, é fundada por João Brasil Silvado Jr. a Associação Brasileira dos Surdos-mudos (ABSM), cuja cultura obteve um grande desenvolvimento.

1911 - O Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) passou a seguir a tendência mundial, utilizando o oralismo puro.

1930 a 1947 – Dr. Armando Paiva Lacerda ex-diretor do INES. Exige que os alunos não usem a Língua de Sinais: podendo apenas utilizar o alfabeto manual e um bloco de papel com lápis no bolso para escrever as palavras que quisessem falar.

1950 – Os surdos não conseguem adaptar-se a essa imposição do oralismo e continuam a usar a Língua de Sinais e o alfabeto manual. Os professores e inspetores burlam as ordens na comunicação com os alunos surdos.

1957 - Proibida totalmente a utilização da língua de sinais no INES.

Década de 1950 – O poder do método oralista francês cresce em todo o Brasil sob a responsabilidade da Profª. Alpia Couto, que, dentro do Centro Nacional de Educação Especial, realiza projetos na área de DEFICIÊNCIA AUDITIVA. O desconhecimento e a falta de convivência com os surdos provocam prejuízos na cultura da comunidade surda, o empobrecimento da Língua de Sinais e a falta de acesso às informações sociais. As questões da Educação Especial se tornam apenas vinculadas a interesses político-econômicos.

1975 - Chega ao Brasil a Comunicação Total.

1977 - Criado no Rio de Janeiro a Federação Nacional de Educação e Integração dos Deficientes Auditivos, FENEIDA, com diretoria de ouvintes.

1980 - Chega ao Brasil o Bilinguismo, porém de fato em 1990.

1981 - Início das pesquisas sistematizadas sobre a Língua de Sinais no Brasil.

1982 - Lucinda Ferreira Brito inicia seus importantes estudos linguísticos sobre a Língua de Sinais dos índios Urubu-Kaapor da floresta amazônica brasileira, após um mês de convivência com os mesmos, documentando em filme sua experiência. A idéia para a pesquisa, segundo a própria autora (1993), adveio da leitura de um artigo publicado no livro acima citado de Umiker-Sebeok (1978), de autoria de J. Kakumasu, Urubu Sign Language. No estudo, a Língua de Sinais dos Urubu-Kaapor se diferenciaria da PSL por constituir um veículo de comunicação intratribal e não como meio de transação comercial. Lucinda Brito, porém, constatou que a mesma se tratava de uma legítima Língua de Sinais dos surdos, pelos mesmos criada. 1982 - Elaboração em equipe de um projeto subsidiado pela ANPOCS e pelo CNPQ intitulado "Levantamento linguístico da Língua de Sinais dos Centros Urbanos Brasileiros (LSCB) e sua aplicação na educação". A partir desta data, diversos estudos linguísticos sobre LIBRAS são efetuados sobre a orientação da linguista L. Brito, principalmente na UFRJ. A problemática da surdez passa a ser alvo de estudos para diversas Dissertações de Mestrado.

1983 - Criação no Brasil da Comissão de Luta pelos Direitos dos Surdos.

1986 - O Centro SUVAG (PE) faz sua opção metodológica pelo Bilinguismo, tornando-se o primeiro lugar no Brasil em que efetivamente esta orientação passou a ser praticada.

1987 - Criação da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS), EM 16/05/87, sob a direção de surdos.

1991 - A LIBRAS é reconhecida oficialmente pelo Governo do Estado de Minas Gerais (lei nº 10.397 de 10/1/91).

1994 - Brito passa a utilizar a abreviação LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), que foi criada pela própria comunidade surda para designar a LSCB (Língua de Sinais dos Centros Urbanos Brasileiros).

1994 - Começa a ser exibido na TV Educativa o programa VEJO VOZES (out/94 a fev/95), usando a Língua de Sinais Brasileira.

1995 - Criado por surdos no Rio de Janeiro o Comitê Pró-Oficialização da Língua de Sinais.

1996 - São iniciadas, no INES, em convênio com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), pesquisas que envolvem a implantação da abordagem educacional com Bilinguismo em turmas da pré-escola, sob a coordenação da linguista E. Fernandes.

1998 - TELERJ - do Rio de janeiro, em parceria com a FENEIS, inauguraram a Central de atendimento ao surdo - através do número 1402, o surdo em seu TS, pode se comunicar com o ouvinte em telefone convencional.

1999 - Em março, começam a ser instaladas em todo Brasil telessalas com o Telecurso 2000 legendado.

2000 - Closed Caption, ou legenda oculta. Após três anos de funcionamento no Jornal Nacional ela é disponibilizada aos surdos também nos programas Fantástico, Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal da Globo e programa do JÔ.

2000 - TELERJ: Telefone celular para surdos com a opção de SMS.

2002 - É promulgada a lei 10.436 em 24 de abril, reconhecendo a Libras como língua oficial das comunidades surdas do Brasil.

2005 - O Decreto 5626 em 22 de dezembro veio regulamentar a lei 10436.

2006 - Exame de Certificação Tradutor Intérprete de Libras – Prolibras, instrutor de Libras e o Curso de Letras-Libras Bacharelado e Licenciatura EaD.

2010 - Curso Superior de Letras-Libras Bacharelado e Licenciatura presencial UFSC.

2010 - Promulgada a lei 12.319 em 01 de Setembro, que regulamenta o exercício da profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS.

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HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE SURDOS NO MUNDO

1520 a 1584 – Espanha: Pedro Ponce de Leon inicia a educação dos surdos através do uso da Língua de Sinais e do alfabeto manual (essencial do método ponce), este se baseava na aprendizagem das palavras começando pela leitura e escrita.

1613 – Espanha: Juan Pablo Bonet atribuiu grande importância à existência de um ambiente linguístico rico, além de priorizar o uso do alfabeto manual juntamente com a escrita para o ensino da fala. Defende que o treino da fala seja iniciando precocemente.

1616 a 1698 – Inglaterra: Holder defende que a reeducação deveria começar pelo ensino da escrita e utiliza o alfabeto de duas mãos para apoiar o treino da fala.

1620 – Espanha: Foi publicado o Livro Reduccion de las letras y artes para enseñar a hablar a los mudos, que falava da invenção do alfabeto manual de Ponce de Leon, por Juan Martin Pablo Bonet. Já em 1644 e 1648 foram publicados respectivamente, os livros: Chirologia e Philocopus, de J. Bulwer. Ambos eram acerca da língua de sinais. No entanto, o primeiro acreditava na universalidade da língua e o segundo afirmava que a língua de sinais tinha a capacidade de expressar os mesmos conceitos que a língua oral.

1648 – Inglaterra: John Bulwer é o autor do 1º trabalho sobre leitura labial da língua inglesa, de cuja aprendizagem faz depender a posterior aquisição da fala.

1616 a 1703 – Inglaterra: O matemático e educador de surdos John Wallis dedica pouca atenção à leitura labial e procede ao treino da fala independentemente do apoio no alfabeto manual. Inicia a reeducação através de gestos naturais usados pelos alunos para depois passar à escrita.

1626 a 1687 - Inglaterra: Jeorge Dalgarno atribui grande importância à educação precoce e ao ambiente linguístico em que a criança surda deve ser educada. Defende o uso contínuo da datilologia desde o berço para permitir ao bebê o desenvolvimento da linguagem.

1715 a 1780 – Portugal: Jacob Rodrigues Pereira utiliza o alfabeto manual como apoio do ensino da fala.

1712 a 1789 – França: O abade l'Epée (Charles-Michel de l'Epée: 1712 -1789) defende que a mímica constituiu a linguagem natural ou materna dos surdos. Conclui que a linguagem dos gestos é um verdadeiro meio de comunicação e de desenvolvimento do pensamento”.

1750 – Alemanha: O Oralismo foi fundado por Samuel Heinicke, que adotou uma metodologia conhecida como o “método alemão”.

1750 – França: Charles-Michel de L´Epée envolveu-se com a comunidade surda, aprendeu a língua e acabou fundando em 1775 uma escola pública em sua própria casa, onde professores e alunos usavam os chamados “sinais metódicos”.

1760 – França: l'Epée iniciou o trabalho de instrução formal com duas surdas a partir da Língua de Sinais que se falava pelas ruas de Paris, datilologia/alfabeto manual e sinais criados e obteve grande êxito, sendo que a partir dessa época a metodologia por ele desenvolvida tornou-se conhecida e respeitada, assumida pelo então Instituto de Surdos e Mudos (atual Instituto Nacional de Jovens Surdos), em Paris, como o caminho correto para a educação dos seus alunos.

1817 - Estados Unidos: Thomas Hopkins Gallaudet e Laurent Clerc fundam a primeira Escola de Surdos em Harttord o AMERICAM ASYLUM FOR THE EDUCATION OF THE DEAF AND DUMB. Desde 1864 Gallaudet University.

1850 – Estados Unidos: A ASL, e não o inglês sinalizado passa a ser utilizada nas escolas, assim como ocorria na maior parte dos países europeus. Nesse período, houve uma elevação no grau de escolarização dos surdos, que podiam aprender com facilidade as disciplinas ministradas em língua de sinais.

1860 – Estados Unidos: O método oral começa a ganhar força.

1869 – Estados Unidos: Surgiram então opositores à língua de sinais, que ganharam força a partir da morte de Laurent Clerc.

1880 – Itália: Em Milano, o Iº CONGRESSO MUNDIAL DOS SURDOS considera que o uso simultâneo da fala e dos gestos mímicos tem a desvantagem de impedir que o desenvolvimento da fala da leitura labial e da precisão das idéias. E declara que o método oral puro deve ser preferido de forma definitiva e oficial. Das 164 representantes presentes, apenas os cincos dos EUA não votam em favor do ORALISMO.

1851 a 1990 – Gallaudet University – EUA: Gallaudet tem a história de luta. Força e poder em prol de defesa dos direitos dos surdos e da Língua de Sinais. Na educação. Utiliza forma radical a Língua de Sinais. Seu progresso e desenvolvimento resultam na Universidade com conhecimento mundial, num trabalho que começa com e estimulação precoce e vai até os cursos de PHD E Academia Superior de surdo; preconiza que não é necessária a educação especial para os surdos, bastando apenas que, na comunicação, o direito à Língua de Sinais seja respeitado. Juntamente com Laurent Clerc e sob a influência de L’Epee, Gallaudet nunca aceitou a imposição do Congresso de Milão e não concordou com a mudança para uma metodologia oral.

1960 – Estados Unidos: É implantada a filosofia da Comunicação Total. William Stokoe prova que a linguagem gestual, de natureza visual-especial, tem estrutura e aspectos próprios, como qualquer língua.